A garota ocidental - Entre o coração e a tradição

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

Zahira é uma adolescente de origem paquistanesa que mora na Bélgica. Seus pais querem seguir a tradição e arranjar um casamento com um jovem no Paquistão. A garota fica dividida entre obedecer aos pais ou seguir seus próprios desejos.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

14/06/2017

A cor vermelha aparece de forma discreta, mas marcante, em alguns momentos de Garota Ocidental – Entre o Coração e a Tradição: numa mangueira numa mesa cirúrgica, luzes que se refletem no asfalto, num papel de carta e no seu envelope, numa vestimenta de um ritual religioso, e em alguns outros momentos, acentuando a tensão que marca a narrativa do filme roteirizado e dirigido pelo belga Stephan Streker.
 
Logo de início o longa vem com os letreiros de "baseado Num Fato Real", o que acaba servindo de amarra, mas também chancelando a trama – como se sua base (um casamento arranjado) já não fosse conhecida. A jovem atriz Lina El Arabi é a alma e coração do filme, numa interpretação sensível e repleta de nuances da protagonista, Zahira, uma garota de origines paquistanesa, cuja família vive na Bélgica.
 
O longa começa numa clínica de aborto, onde ela parece decidida a interromper uma gravidez indesejada. O que surpreende é que a questão não é um problema nem para ela, nem para os pais, que a apoiam em sua decisão. Uma reviravolta, um pouco mais tarde, faz com que ela desista em cima da hora – mas não conta isso à família.
 
O pai Mansoor (Babak Karimi) e a mãe Yelda (Neena Kulkarni) querem resolver logo essa questão para arranjar um casamento para a menina – exatamente como fizeram com a filha mais velha. Zahira, porém, acredita estar totalmente ocidentalizada, integrada ao modo de vida europeu, até que percebe um conflito interno, entre o desejo de viver sua vida ou respeitar o desejo dos pais e honrar a tradição - que tem consequências para um possível isolamento da família em sua comunidade.
 
O escolhido (Harmandeep Palminder) para o casamento tradicional mora no Paquistão, e o casal conversa pela internet. A jovem não está segura de aceitar o casamento e tudo se complica quando conhece um garoto (Zacharie Chasseraiud), por quem se interessa, e que lhe oferece uma saída.
 
A maior qualidade do filme de Streker – além de sua grande atriz no papel central – é a capacidade de humanizar a todos os envolvidos – ou pelo menos tentar entendê-los. O pai, por exemplo, não é um tirano impondo sua vontade à filha. É um homem com o peso de uma tradição o consumindo. Compreensivo, ele dá sinais de que gostaria que o mundo em que vivem fosse diferente e Zahira pudesse fazer suas próprias escolhas sem pressões da tradição. Tal qual a menina, ele também está dividido entre o coração e a tradição. O mesmo se dá em relação ao irmão mais velho (Sébastien Houbani), sobre quem recai a pressão do legado. Mas, ao final, será Zahira a ponta mais frágil.

Alysson Oliveira


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança