A vida após a vida

Ficha técnica

  • Nome: A vida após a vida
  • Nome Original: Zhi fan ye mao
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: China
  • Ano de produção: 2016
  • Gênero: Drama, Fantasia
  • Duração: 80 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: Zhang Hanyi
  • Elenco: Zhang Li, Zhang Mingjun

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Locais de filmagem


Sinopse

Vários anos depois de sua morte, Xiuying volta do mundo dos mortos e entra no corpo do filho, Leilei. Ela quer que o marido, Mingchun, retire do local a árvore que ela plantou no dia do casamento, pois a antiga casa foi abandonada. Disso depende sua passagem no outro mundo.


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Crítica Cineweb

19/05/2017

Filme de estreia do diretor e roteirista chinês Zhang Hanyi, A vida após a vida desenvolve sua história delicadamente, sempre no limite entre dois opostos. É numa fronteira entre realismo e fantasia que se equilibra o relato da volta à vida – temporariamente – de Xiuying, ocupando o corpo do filho de 12 anos, Leilei (Zhang Li). Através dele, a mulher é capaz de travar um calmo diálogo com o marido, Mingchun (Zhang Mingjun), por meio do qual se elaboram temas diversos, sobrepostos.
 
O realismo se assenta nas opções da fotografia despojada de Matthieu Laclau, centrada em tons cinzas e marrons, retratando uma região do interior chinês, Shanxi, às voltas com grandes transformações trazidas por obras gigantescas de infraestrutura. Aqui, verifica-se uma das marcas da obra do produtor do filme, Jia Zhang-ke, assinaladas em seus próprios filmes, como Em Busca da Vida. Ou seja, o confronto entre a destruição trazida pelo progresso, que arrasta casas e modos de vida primitivos, como se verifica nas moradias abandonadas da antiga aldeia onde vivia o casal Mingchun-Xiuying, escavadas na rocha.
 
A volta da mulher à vida tem um objetivo preciso – ela quer que o marido remova do antigo jardim de sua casa a árvore que ela plantou por ocasião de seu casamento, assegurando-lhe um novo local e sobrevida, o que está relacionado com a sua própria passagem a uma outra encarnação. A tarefa mostra-se de várias maneiras bem mais complexa do que parece à partida, simbolizando o esforço de convivência entre as antigas crenças e as necessidades concretas da vida atual.
 
O grande feito do diretor estreante, que teve seu filme exibido em avant première em Berlim 2016 e arrebatou prêmios em Hong Kong e Tóquio, é manter a organicidade interna deste mundo no limite entre sonho e realidade, levando o espectador pela mão para participar das singelas emoções deste pequeno grupo de personagens. Isto é possível ainda que não se compartilhe de nenhuma de suas crenças místicas, porque o filme evoca uma espécie de respeito humano pela diferença de sentimentos e visões que cada pedaço do mundo pode manter. É o tipo de cinema que evoca sua própria mágica, seu desejo de fruição através de som e imagem, como pisando de leve na trilha de um sonho.

Neusa Barbosa


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