Punhos de sangue

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Chuck Wepner foi um boxeador de carreira atribulada, mas que chegou a ter fases boas, como quando lutou contra Muhammad Ali - mesmo perdendo, aguentou 15 rounds. Mas sua vida não foi tão bem-sucedida, nem na carreira, nem na família.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

16/05/2017

O boxeador Chuck Wepner talvez seja uma espécie de nota de rodapé na história do cinema, como a inspiração não assumida para o personagem Rocky Balboa, criado e interpretado por Sylvester Stallone. O novo longa Punhos de Sangue não apenas dá os devidos créditos ao lutador como também mostra as dores e alegrias da vida de um esportista marcado pelas derrotas.
 
Liev Schreiber (A 5a Onda), que, além de interpretar o protagonista, é produtor do filme, entrega-se com comprometimento nesse retrato melancólico de um personagem e uma época. Fadado a derrotas – nos ringues e fora deles –, Chuck é conhecido como “The Bleeder”, em referência aos excessivos sangramentos de seus cortes, difíceis de estancar. No boxe, depois de algumas vitórias, luta com Muhammad Ali (Pooch Hall), em 1975, e, apesar da derrota (depois de 15 rounds), ainda encontra uma fama que surpreende até a ele. Essa é a parte que rendeu a inspiração a Stallone.
 
O filme começa num dos pontos mais baixos de sua carreira – embora outros ainda virão – quando luta, apenas pelo dinheiro, é claro, contra um urso treinado numa noite de sábado num bar. Depois disso, Punhos de Sangue volta no tempo para narrar a pequena ascensão e queda do esportista, morador de Bayonne, New Jersey.
 
A vida pessoal também não é nada animadora. Casado com Phyllis (Elisabeth Moss), e pai de uma menina, Wepner se deixa levar pela fama, álcool e mulheres. Além do boxe, seu outro “talento” é para poesias ruins, que escreve na tentativa de se desculpar com a mulher e filha – e como poeta, é pior do que boxeador. Não à toa, cada vez mais as duas se afastam dele.
 
O diretor canadense Philippe Falardeau (cujo O que traz boas novas foi indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro, em 2012) está mais interessado nos poucos altos e muitos baixos da vida de seu personagem do que nas lutas de boxe – inclusive nem há muitas – e o filme ganha cada vez mais no seu mergulho, junto com o protagonista, ao fundo do poço, incluindo tráfico de drogas e uma malfadada tentativa de trabalhar no cinema com Stallone.
 
Falardeau não inova estilisticamente, seguindo a cartilha do retrato dos loucos anos de 1970, simbolicamente escrita por Martin Scorsese e atualizada por Paul Thomas Anderson (em Boogie Nights). Ainda assim, seu filme tem fôlego e isso se deve especialmente à presença de Schreiber, Elizabeth e Naomi Watts, que interpreta a candidata involuntária a salvar a alma do boxeador. Há uma grande honestidade no retrato dos sentimentos e emoções dos personagens – especialmente numa cena climática, entre o protagonista e seu irmão (Michael Rappaport), de quem se afastara há anos. 

Alysson Oliveira


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