Entrelinhas

Entrelinhas

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Skene é um diretor de teatro que está montando uma peça sobre conflitos entre amor e trabalho. Sem que ele perceba, porém, está sendo manipulado pela autora do texto.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

15/05/2017

Entrelinhas é um filme estranho – mas não do tipo que causa um estranhamento positivo. É do tipo estranho ruim, um filme que não conhece bem a linguagem cinematográfica. Dirigido pela brasileira Emilia Ferreira, a partir de um roteiro de Gay Walley, o longa é protagonizado por um diretor de teatro (Edoardo Ballerini) que percebe ter sido manipulado pela dramaturga, Jacqueline (Irina Björklund), autora da peça que ele dirigiu.
 
Com uma música onipresente e invasiva, o filme brinca com o surrado jogo de verdade e ficção, realidade e encenação, que já foi abordado à exaustão no cinema. Entrelinhas não consegue achar um ângulo, senão novo, ao menos, não tão óbvio para lidar com a questão. A peça de Jacqueline é, supostamente, inspirada em fatos de sua vida, mas até que ponto o diretor, Skene, tem liberdade para trabalhar com a obra?
 
No fundo, a diretora e o roteirista querem falar dos desejos das mulheres, mas o fazem de maneira tão óbvia e tão pueril, sem qualquer profundidade do personagem, ritmo de narrativa ou preceitos básicos, que nada se sustenta. A direção consiste em colocar dois personagens – raramente mais do que isso – em cena, dizendo falas um tanto tolas uns para os outros (ao som de uma trilha sonora constante, assinada por Carlos José Alvarez), em lugares, às vezes, exóticos. E os diálogos são ditos num inglês um tanto lento – o que faz parecer que não é língua dos atores e/ou um vídeo didático para aulas de inglês. Ou, por fim, a fala cadenciada talvez queira dar um certo peso dramático.
 
Entrelinhas é um filme repleto de boas intenções, mas cada uma no lugar errado – comprometendo cada elemento, desde a direção até as interpretações. O resultado é sofrível, sendo cheio de pudor para falar desde de sentimentos até de sexualidade – um pudor que o contamina em diversos níveis, fazendo o filme parecer um pornô soft-core, daqueles que passam na televisão aberta de madrugada, sem as cenas de sexo.

Alysson Oliveira


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