A promessa

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Sinopse

Farmacêutico de uma pequena cidade na Turquia, o turco de origem armênia Mikael decide noivar sem amor com Maral - o que lhe permite acesso a um dote que possibilita seu curso de medicina. Uma vez em Istambul, na casa de um tio, ele conhece Ana, a professora de dança de suas primas. Os dois se apaixonam, mas ela é comprometida com um jornalista americano, Chris. No meio disso, estoura a perseguição contra os armênios na Turquia, em 1915, já em plena I Guerra.


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Crítica Cineweb

04/05/2017

O cineasta irlandês Terry George sabe manejar um drama e identificar-se com temas sociais relevantes. Construiu sua carreira em torno de filmes como Hotel Ruanda (por cujo roteiro foi indicado ao Oscar em 2005) e Mães em Luta (96), além de outra indicação ao Oscar como corroteirista de Em nome do pai (93), de Jim Sheridan.
 
Assim, não é nenhuma surpresa vê-lo à frente da direção e roteiro (dividindo créditos com a norte-americana Robin Swicord) no drama A Promessa, uma coprodução entre Espanha e EUA, com um elenco internacional, focalizando o massacre dos armênios pelos turcos em 1915 – que se estima ter sido o primeiro genocídio do novo século e uma espécie de “modelo” que os nazistas imporiam depois aos judeus.
 
A história é personalizada num melodrama a partir de uma família, os Boghosian, embalado por um triângulo amoroso temperado por problemas éticos, com três personagens fortes: o farmacêutico e estudante de medicina Mikael Boghosian (Oscar Isaac), a professora de dança Ana Khesarian (Charlotte Le Bon) e o jornalista norte-americano Chris Myers (Christian Bale).
 
Os três se conhecem em Istambul, onde Mikael, rapaz do interior, veio morar com um tio comerciante, Mesrob (Igal Naor) e sua família. A bela e emancipada Ana, que viveu em Paris, ensina dança às pequenas primas de Mikael e surge uma atração entre os dois. Mas há obstáculos sérios: Ana vive com o jornalista Chris e Mikael está preso a uma promessa de casamento, cujo dote, inclusive, é o que financia seus estudos.
 
Se os três atores enchem a tela com seu conflito amoroso, nem por isso Terry George descuida do contexto assustador em que suas histórias se desenvolvem. No início da I Guerra Mundial, os armênios – cristãos, ao contrário dos turcos, de maioria muçulmana - começam a ser presos, mortos, enviados ao deserto, despojados de seus bens. E são particularmente boas as cenas de deslocamentos de massas de populações, lembrando a saga dos refugiados atuais.
 
A trama se estrutura no sentido não só de exasperar a tensão entre o trio – lembrando o compromisso de Mikael com a noiva Maral (Angela Sarafyan) – como de criar situações de perigo envolvendo todos eles, especialmente pelo desespero de Mikael para reencontrar os pais e o envolvimento do repórter para denunciar o massacre ao mundo.
 
Há nessa caracterização dos dois homens, especialmente, uma certa contaminação de clichês que contribuem para atenuar a qualidade dramática do filme, embora seja inegável a importância do tema que resgata – basta lembrar que até hoje a Turquia ainda não admite este genocídio, que se estima ter colhido a vida de um milhão e meio de armênios.
 
Mais interessante é a personagem de Ana, por seu caráter ousado e pela fluidez com que ela se mostra capaz de atravessar diversas situações. Já a mãe de Mikael, Marta (Shoreh Aghdashloo) é outra a ser engolida pelo clichê.
Talvez tenha faltado a George um envolvimento mais de dentro, o que ele, como irlandês, foi inegavelmente capaz de atingir mais fundo nos dramas Mães em luta e Em nome do pai.
 
De todo modo, é visível que o filme teve a força de incomodar os negacionistas do genocídio armênio, tornando-se alvo de trolls e uma incomum enxurrada de “dislikes” ao seu trailer na internet. Nada de se estranhar. Quando, em 2002, o cineasta egípcio canadense de origem armênia Atom Egoyan lançou seu filme sobre o tema, Ararat, chegou a receber ameaças por parte de ultranacionalistas turcos. Por conta disso, o filme deixou de ser exibido em vários cinemas daquele país onde estava programado. Neste sentido, A Promessa cumpre um imprescindível papel: não deixar arrefecer a memória daqueles fatos, recolocando-os em discussão.

Neusa Barbosa


Trailer


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