Taego Ãwa

Ficha técnica

  • Nome: Taego Ãwa
  • Nome Original: Taego Ãwa
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2016
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 75 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Marcela Borela, Henrique Borela
  • Elenco:

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Locais de filmagem


Sinopse

Em 2003, a estudante de comunicação Marcela Borela encontra na UFG um pacote de fitas VHS que documentam vários episódios envolvendo desastrosas tentativas de contato e dominação dos índios Avá-Canoeiros. Tidos como extintos, eles são reencontrados na ilha do Bananal e lhes apresentam as antigas imagens.


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Crítica Cineweb

03/05/2017

O documentário Taego Ãwa resgata a trajetória excepcional dos índios Avá-Canoeiros através do encontro de fitas VHS na Universidade Federal de Goiás, pela então estudante de Comunicação Social Marcela Borela, em 2003. Anos depois, com a parceria do irmão, Henrique, que se especializou em Antropologia, ela traz à luz estas antigas imagens dos Avá-Canoeiros do Araguaia (que se chamam Ãwa) a partir de um contato forçado pela FUNAI em 1973. Estes índios sempre preferiram permanecer isolados e, desde o século 16, resistiram aos contatos com os brancos, fugindo deles para as matas – o que lhes valeu a fama de “perigosos” ou “invisíveis”.
 
Por anos, Marcela não soube o que fazer com as imagens, encontrando a via do cinema junto com o irmão. A partir desse caminho, eles reencontraram também os próprios índios, na ilha do Bananal (TO), onde vive um pequeno grupo de uma etnia hoje reduzida a pouquíssimos indivíduos e que foi já lembrada na canção Canoa Canoa, de Fernando Brant e Nelson Ângelo, na voz de Milton Nascimento.
 
Nesse grupo da ilha do Bananal, estava inclusive o velho líder Tutawa, protagonista de várias imagens dos VHS, sobrevivente de lutas duras contra os brancos e que contava, na época deste encontro com os cineastas, com mais de 80 anos. Tutawa e seus descendentes concordaram com a ideia dos documentaristas e participaram do filme, dando entrevistas e fornecendo a base de uma narrativa que procura, mais do que tudo, retratá-los com o máximo de respeito e o mínimo de interferência.  
 
 A grande qualidade do documentário – premiado no FICA 2016 como melhor filme goiano e melhor filme no júri popular – é problematizar a questão da representatividade, da imagem e também da identidade indígena. Afinal, a “justificativa” dada pelos brancos para a remoção forçada dos indígenas de suas terras no passado foi sempre abrir terreno a uma exploração econômica que, no final, os levava à dispersão e/ou à morte.
 
Outra questão, esta muito candente na atualidade, é a própria tentativa de negação da identidade indígena, por conta de traços de aculturação – a roupa, o domínio da língua, etc. – e que está no cerne da negativa de uma demarcação definitiva de seu território. Para Tupis, como os Avás, absorver o outro não é problema, eles são capazes desta assimilação de traços externos à sua cultura sem abandonar sua identidade. No entanto, a sociedade branca procura delimitar essa identidade de forma a desqualificá-la, para recusar sua reivindicação à terra. Contra isso é que se coloca este vibrante documentário, que se soma aos esforços de outros filmes qualificados sobre a questão indígena no País, caso de Serras da Desordem, de Andrea Tonacci, Corumbiara e Martírio, de Vincent Carelli, e da ficção As Hipermulheres, de Carlos Fausto, Takumã Kuikuro e Leonardo Sette, inspirações assumidas pelos diretores.

Neusa Barbosa


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