Melhores amigos

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Com a morte do avô, Jake e seus pais herdam seu apartamento, que fica sobre uma loja de roupas, também de sua propriedade. Jake faz amizade com Tony, o filho da inquilina Leonor, e os dois tornam-se inseparáveis. Um conflito resolvendo este aluguel ameaça separar os dois garotos.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

02/05/2017

Conhecido no Brasil pelos filmes Deixe a luz acesa e O amor é estranho, o diretor norte-americano Ira Sachs junta-se novamente ao brasileiro Maurício Zacharias para escrever o roteiro de Melhores amigos, um delicado filme sobre o amadurecimento e a superação da adolescência.
 
Se naqueles dois outros filmes a temática era declaradamente um romance gay entre adultos, neste o foco está na amizade inseparável entre dois garotos de 13 anos, Jake (Theo Taplitz) e Tony (Michael Barbieri). A menção ao despertar sexual de ambos é sutil e deixada em aberto, talvez em atenção à pouca idade dos protagonistas.
O enredo explora a aproximação entre os garotos depois que Jake muda-se para o apartamento no bairro do Brooklyn em Nova York, deixado pelo avô paterno, que fica sobre a loja de roupas alugada pela mãe de Tony, a chilena Leonor (Paulina Garcia, vencedora do Urso de Prata como melhor atriz em Berlim 2013 pelo drama Glória).
 
A história envereda também pela luta de classes, já que os pais de Jake, o ator Brian (Greg Kinnear) e a terapeuta Kathy (Jennifer Ehle), são os senhorios em conflito com Leonor – que resiste a um aumento de aluguel e também a deixar a loja.
 
Contrastando com o agravamento de tensões entre os respectivos pais, o relacionamento entre os garotos é cada vez melhor e mais próximo, tirando partido das diferenças de temperamento entre os dois. Jake é tímido e introvertido, enquanto Tony é extrovertido e fanfarrão, um contraste que estimula a admiração incondicional de Jake e também municia boatos na escola sobre sua sexualidade.
 
Há, nesta situação, uma sugestão de bullying que se opta por não aprofundar nem agravar. Um dos focos da história é a relativa dificuldade de Jake de se relacionar com o mundo exterior, o que se torna dramático com a iminente ruptura entre seus pais e a mãe de Tony. Neste conflito, adiciona-se ainda outras discussões interessantes, como a gentrificação do bairro do Brooklyn novaiorquino, um fenômeno que se repete em todas as grandes cidades do mundo.
 
Outro aspecto interessante é a inversão de papeis tradicionais entre homens e mulheres. Brian é o pai de família angustiado por não conseguir uma estabilidade profissional, sendo ator, o que sobrecarrega sua mulher de responsabilidade material pelo sustento da família – sem que ela pareça estar especialmente abalada com isto, mas ele sim.
 
De todo modo, a masculinidade em seus vários aspectos é sutilmente colocada em questão pelas escolhas dos personagens. Greg Kinnear entrega, mais uma vez, uma interpretação sutil, na pele de um marido e pai sinceramente empenhado numa busca de autenticidade pessoal que não o transforma de modo algum num egoísta indiferente à família ou mesmo ao dilema da inquilina. Dito de outra forma, o roteiro escapa lindamente dos estereótipos e sintetiza, numa bela cena final, o significado de crescer e ir em frente. Talvez também do adeus ao primeiro amor platônico.

Neusa Barbosa


Trailer


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