Por trás do céu

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País


Sinopse

Depois que o patrão atacou sua mulher, Aparecida, Edivaldo foge e a esconde num lugar alto, ermo e longe de tudo. Esse refúgio, para ela, torna-se progressivamente uma prisão. Ela sonha em chegar depois do céu e planeja construir um foguete.


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Crítica Cineweb

29/03/2017

Por trás do céu, de Caio Soh, remete a um Nordeste mítico, supostamente moderno, para contar a história de Aparecida (Nathalia Dill). Mulher do sertanejo Edivaldo (Emilio Orciolo Netto), que sofre uma violência do patrão deles (Léo Rosa), Aparecida foge com o marido para um local ermo, onde coleciona objetos e fantasias de atingir o céu, ou depois do céu, inclusive com o projeto mirabolante de construir um foguete. O outro habitante deste mundo é seu amigo, Micuim (Renato Góis), que participa da construção de uma espécie de universo paralelo ao realismo, não só a partir do vocabulário como das atitudes e do pensamento mágico. Como uma trupe teatral, eles se completam.
 
Como ressaltou o diretor e roteirista Caio Soh, na coletiva do filme no Cine PE 2016, o “estado de Aparecida é o sonho”. Para ele, ela não se deixou dominar pela violência sofrida (estupro), como aconteceu ao marido, humilhado e devastado pela ideia de vingança, ainda que não tenha perdido um milímetro da paixão que nutre pela mulher. Só que erigiu para ela um refúgio que virou uma espécie de prisão. Aparecida sonha em sair dali, conhecer outras pessoas e espaços, dos quais o céu é o símbolo.
 
Não é segredo para ninguém, inclusive o produtor Denis Feijão (que produziu o documentário Raul – o início, o fim e o meio) que Por trás do céu é um filme de formato peculiar, um híbrido com uma dificuldade de definir seu gênero e seu público.  
 
No festival de Recife, no ano passado, o acolhimento, em todo caso, foi grande, com Por trás do céu vencendo o troféu de melhor filme para o júri popular no Cine PE. Talvez porque a plateia local se identificou com o universo e a linguagem nordestinos – que assumidamente reflete referências literárias do diretor paulista, que nunca antes havia visitado o sertão (o filme foi realizado no Lajedo do Pai Mateus, na Paraíba). Por isso, sente-se uma ponta de artificialismo, como ocorreu com produções recentes em torno deste “neo-Nordeste visto de fora”, como Reza a Lenda, de Homero Olivetto.

Neusa Barbosa


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