Guerra do Paraguay

Guerra do Paraguay

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Soldado brasileiro que volta da guerra do Paraguai, que acaba de ser vencida pela Tríplice Aliança, encontra-se pelo caminho com um fantasma - que ele mesmo pode ter matado na guerra - e duas mulheres, que arrastam uma carroça sem cavalo. Em suas conversas, passam em revista o sentido da vida, da guerra, da arte e da violência.


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Crítica Cineweb

29/03/2017

Guerra do Paraguay, de Luiz Rosemberg Filho, traz à tona um cinema inventivo, com raízes fincadas no passado, mas, como toda obra capaz de dialogar além do tempo, finamente certeira e contemporânea. Nada de estranhar no trabalho de um cineasta veterano, cuja obra, em que se incluem Jardim de espumas (71), Crônicas de um industrial (78) e O santo e a vedete (82), sintonizou sempre com a procura de novos caminhos, valendo-lhe enormes problemas com a censura da ditadura militar.
 
Filmado todo em preto-e-branco, em planos-sequência, o filme começa com uma frase de Mário de Andrade (o passado é lição para meditar, não repetir) e dedicatória a Stanley Kubrick (Dr. Fantástico) e Jean-Luc Godard (Os Carabineiros). Assim, anuncia desde logo sua filiação a um cinema sem medo de explorações além dos rumos confortáveis.
 
Com roteiro assinado também pelo próprio Rosemberg, Guerra do Paraguay declara um acento fortemente teatral, o que implica diálogos mais longos e elaborados. O primeiro personagem é um fantasma de soldado paraguaio (Chico Díaz), cujos ferimentos evocam o massacre realizado em seu país pela guerra vencida pela tríplice aliança, da qual fez parte o Brasil (além do Uruguai e Argentina), no século 19.
 
Soldado brasileiro que anuncia, solitário, a vitória sobre o Paraguai (Alexandre Dacosta) tem um breve encontro com o fantasma – que ele mesmo pode ter matado. Mas seu caminho segue adiante, cruzando-se com uma carroça mambembe, sem cavalo, arrastada penosamente por mulheres.
 
Uma delas, mãe das outras duas, acaba de morrer. O soldado ajuda a sepultá-la e ali inicia um instigante e quase sempre áspero diálogo com a filha mais velha, atriz (Patricia Niedermeier) que cuida da irmã caçula, moça autista (Ana Abbott).
 
Dentro da proposta de liberdade da história, permite-se este embate entre dois personagens que sequer pertencem à mesma época: o soldado é do século 19, a atriz, brechtiana, contemporânea. Ela evoca falas de escritores e poetas para contrapor a lógica autoritária, militarista e machista do soldado, que, sob uma aparência contida, esconde um veio de violência cuja irrupção é um baque.
 
Na parte final, mostram-se imagens documentais terríveis, de diversas guerras. Há todo um discurso pacifista entremeando o filme, mas não só. A polarização entre arte e inteligência, de um lado, e truculência, do outro, não poderia ser mais atual. História do Paraguay é um filme exigente para com o espectador, mas que certamente oferece um prato de resistência para os seus sentidos e pensamento.  

Neusa Barbosa


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