Central - O filme

Ficha técnica

  • Nome: Central - O filme
  • Nome Original: Central - O filme
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2016
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 107 min
  • Classificação: 12 anos
  • Direção: Tatiana Sager
  • Elenco:

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Locais de filmagem


Sinopse

Um olhar sobre um dos maiores presídios do país, o Central (em Porto Alegre), que mostra as condições sub-humanas nas quais os presos são tratados, expondo um sistema que precisa de mudanças urgentes. O filme conta com depoimentos de encarcerados, dirigentes e afins.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

23/03/2017

O documentário Central, de Tatiana Sager, codirigido por Renato Dornelles, traz combustível a uma discussão perene no Brasil: o sistema carcerário brasileiro. Partindo do maior presídio no país, situado em Porto Alegre, e que dá nome ao filme, o longa investiga a falência que se perpetua por anos, sem sinal de mudança no horizonte.
 
Dando voz especialmente aos excluídos – os próprios encarcerados –, o documentário se vale de depoimentos em primeira pessoa – também de dirigentes, juízes e afins –, escancarando uma realidade conhecida, mas convenientemente ignorada pela população e autoridades. Na época da filmagem, eram 4500 pessoas confinadas. Como não cabem todos nas celas, eles ficam nas galerias, que são comandadas por facções, como alega um dos entrevistados.
 
Tentando abarcar o máximo de pontos de vista dentro do filme, a diretora se vale não apenas de depoimentos, mas também de imagens de arquivo e outras feitas pelos próprios detentos com câmeras que ela forneceu. Assim, Central resulta num painel complexo da diversidade humana e a da crueldade institucionalizada que o filme questiona a todo momento.
 
Das diversas questões que emergem, a mais pertinente e urgente é: como um sistema tão falido como esse ainda existe, sendo que nem sua função é capaz de cumprir? Sagazmente, o documentário não está atrás de resoluções, pois não lhe cabe, e, possivelmente, cairia no vazio.
 
A voz contraditória vem de tenente-coronel Oswaldo Luis Machado da Silva, diretor do presídio entre 2013-2014,  que diz que a instituição “não é o ideal, mas também não é aquele caos que nós vemos na mídia [...] E que, por uma razão ou outra, disseram que aqui é o pior presídio do Brasil”. Espertamente, essa fala vem logo depois de imagens de esgoto caindo a céu aberto – como ele próprio admite –, entre tantas outras assustadoras.
 
Aparentemente, para o ex-diretor, que também afirma logo no começo do filme que “ninguém vai aprender a ser mais criminoso aqui dentro”, o maior problema do Central é de relações públicas, pois todas as mudanças que fizeram (como obras de ampliação em galerias, separações por facções etc) não foram devidamente divulgadas na mídia.
 
Para fazer um contraponto entre passado e presente, o filme resgata imagens de uma rebelião, em meados dos anos de 1990. Colocando em contraposição a isso, e dando a dimensão do presente, entra, então o depoimento, por motivos óbvios, apenas de áudio, do líder da facção “Os Manos”, explicando como hoje existe um diálogo com a brigada, com quem “consegue manter uma relação tranquila [...] e não tem mais aquela coisa de morte dentro da cadeia, tortura que tinha antigamente. Hoje é bem mais tranquilo”.
 
É a partir de dinâmicas entre imagens e discurso (que, muitas vezes, se contradizem, como no depoimento do ex-diretor em relação ao esgoto a céu aberto) que Central se estrutura e ganha a sua força, ao escancarar de forma tão necessária um sistema que deveria ser totalmente reformulado, para o bem de toda a sociedade.

Alysson Oliveira


Trailer


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