Por um punhado de dólares - Os novos emigrados

Por um punhado de dólares - Os novos emigrados

Ficha técnica

  • Nome: Por um punhado de dólares - Os novos emigrados
  • Nome Original: Por um punhado de dólares - Os novos emigrados
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2017
  • Gênero: Documentário
  • Duração: 81 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Leonardo Dourado
  • Elenco:

Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 0 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

Filmado no Brasil, Alemanha, Japão, México, Estados Unidos e Gâmbia, esse documentário acompanha o cotidiano de imigrantes sem documentos.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

08/03/2017

Lá se vão 50 e poucos anos desde que Clint Eastwood chegou com seu cavalo a um vilarejo no México e alugou sua habilidade de pistoleiro para quem pagasse mais. No filme de Sergio Leone, o gringo chegava em busca de um punhado de dólares para se manter, fazendo a única coisa que sabia fazer: eliminar quem cruzasse seu caminho. Hoje, milhões de imigrantes deixam seus países empobrecidos e buscam alguma redenção nas terras de Tio Sam, na Europa ou no Japão, também por um punhado de dólares, de euros ou de ienes, que usarão para alimentar as famílias que deixaram em seus países de origem. É assim com nisseis brasileiros que trabalham como eletricistas em Tóquio, com o mexicano que deixa dois filhos em seu país e parte para os Estados Unidos para trabalhar em uma academia de boxe e com o lavador de pratos de um restaurante de Munique, na Alemanha, que manda praticamente todo o seu dinheiro para o pai e sete irmãos na Gâmbia, um dos países mais pobres da África, mas que é conhecido por ser habitado por um dos povos mais sorridentes do mundo.
 
O documentário de Leonardo Dourado pega emprestado o título do clássico do western-spaguetti e faz uma viagem contrária à do anti-herói de Leone. Os personagens do filme possuem alguma habilidade com as mãos, mas nenhum poder para usá-las para melhorar o mundo. Apenas lutam pela sobrevivência, com a dura perspectiva de que o fracasso comprometerá a manutenção de suas famílias.
 
Dourado escolhe seus personagens nos três continentes que, em comum, possuem apenas a maldição de serem indocumentados. Terão por isso mais dificuldade para arrumar colocação, quando conseguem, ganharão menos, e correm o risco permanente de ser deportados. São exemplos de famílias divididas que se comunicam pelo telefone, pelo Skype e provavelmente nunca se reencontrarão.
 
Seidi Takano e o irmão Leonardo são goianos e integram a parcela de brasileiros no exterior que remetem mais de R$ 10 bilhões por ano para suas famílias. Já viveram dias melhores em Tóquio, mas hoje enfrentam a concorrência dos imigrantes chineses, contratados por salários mais baixos. Mesmo assim, passam periodicamente pelo caixa eletrônico de um banco brasileiro para enviar dinheiro para seu pai e um irmão que ficaram em Alexânia, em Goiás, que acumulam dívidas com agiotas. José Luis Vásquez deixou o pai e dois filhos em Monterrey e vive com a mulher e outros dois filhos em Houston. Seus filhos não conseguem visto para visitá-lo no México e, se ele viajar para seu país, não poderá retornar – e sua família precisa dos US$ 700 que envia mensalmente. Ibrahim Suware, de Banjul, capital da Gâmbia, lava pratos em Munique e manda dinheiro, roupas e outros objetos para 40 parentes na África.
 
Por mais que sofram em terra estrangeira, são obrigados a lá permanecer, enquanto esperam alguma mudança na economia ou consigam, finalmente, ter sucesso como empreendedores. Mas é uma possibilidade cada vez mais remota, como comprovam suas próprias histórias de vida. O que ganham cobre apenas suas necessidades mais básicas e se privam do contato com a família, invisíveis até a chegada da polícia de imigração, encerrando seus sonhos de vida.

Luiz Vita


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança