Fátima

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Fátima é uma doméstica argelina que vive na França. Divorciada, tem que garantir o sustento das duas filhas, uma de 15, outra de 18. A mais velha acabou de entrar na faculdade de medicina e a pequena família tem novos desafios para superar.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

02/03/2017

Atração da Quinzena dos Realizadores de Cannes em 2015 e vencedor de três César em 2016 – melhor filme, roteiro adaptado e atriz revelação (Zita Hanrot) -, Fátima, do diretor Philippe Faucon, é a vitória da simplicidade eloquente.
 
O enredo, adaptado pelo próprio Faucon a partir de duas obras da autora Fatima Elayoubi (Prière à la lune, de 2006; e Enfin, je peux marcher seule, 2011), é minimalista. Retrata a vida de Fátima (Soria Zeroual), argelina radicada na França, divorciada e trabalhando como faxineira para sustentar duas filhas, Nesrine (Zita Hanrot) e Souad (Kenza Noah Aïche).
 
Atriz não-profissional, Soria empresta uma verdade intensa à sua personagem simplesmente a partir de seu rosto, onde se enxerga uma máscara de aparente passividade que é, na verdade, o escudo de uma pacífica mas implacável persistência. Nada no mundo é capaz de demovê-la da obsessão de criar suas filhas o melhor que pode – o ex-marido (Chawki Amari) não é muito presente como pai e inclusive tem uma nova família.
 
Neste esforço em prol de suas meninas, Fátima trabalha noite e dia e engole todas as humilhações e constrangimentos que surgem naturalmente em seu cotidiano, por ser pobre, de origem magrebina, muçulmana e não dominar o francês. Chama a atenção como a agressividade nunca está no horizonte de suas reações. Mas desistir simplesmente nunca é uma opção.
 
Um pouco desta obstinação contaminou especialmente a filha mais velha, Nesrine, de 18 anos, cursando o primeiro ano de medicina e travando batalhas tanto econômicas como para dar conta das exigências do curso – que, não raro, superam suas forças.
 
A filha mais nova, Souad, de 15 anos, é o protótipo da adolescente rebelde, contra tudo e contra todos – incluindo a mãe, de quem ela sente vergonha e a quem agride verbalmente. Fátima, no entanto, vai ao encontro dela, tentando superar uma parede de incompreensões que poderiam ocorrer até se ela falasse bem o francês. A língua é só mais uma barreira entre gerações e expectativas de vida distintas – pelo menos por enquanto.
 
Uma queda coloca em risco a saúde e todo o plano de vida da mãe, que passa a contar com uma espécie de diário para desafogar seus sentimentos – em árabe. A força deste diálogo íntimo é a grande revelação de tudo o que o rosto aparentemente impassível de Fátima esconde. As palavras do diário são a forma como se pode compartilhar da fortaleza e da lucidez de uma mulher tão simples e pouco escolarizada, mas que é capaz de encontrar nelas uma expressão que o cotidiano não lhe oferece. Seu papel na sociedade estratificada é ser invisível – inclusive nos direitos trabalhistas que a patroa Isabelle Candelier) lhe sonega.
 
Estruturado com de situações simples, sem grandes arroubos, o filme do diretor, nascido no Marrocos e radicado na França – profundo conhecedor, portanto, das situações retratadas aqui –, expõe com uma clareza cristalina a trajetória de mulheres aparentemente miúdas e isoladas, mas tão fortes quando vistas de perto, como num microscópio. Heroínas do cotidiano dispostas a desafiar a falsa lógica do preconceito e da incompreensão.

Neusa Barbosa


Trailer


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