Negação

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Sinopse

Deborah Lipstadt é uma historiadora especializada no Holocausto, enquanto seu colega de profissão David Irving oportunisticamente nega o fato. Quando ela o ridiculariza num livro, ele a leva ao tribunal, onde a professora deverá provar que nazistas realmente mataram judeus em câmaras de gás.


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Crítica Cineweb

01/03/2017

Há revisionismos históricos e revisionismos históricos – uns tentam varrer para debaixo do tapete do tempo o que houve de mais podre ao longo dos séculos, outros dão voz aos excluídos, aos marginalizados e reveem fatos de maneira a jogar luz exatamente sobre a sujeira da humanidade. Ao centro do drama Negação, existe talvez o do pior tipo: que tenta desmentir um fato consumado, como se fosse uma fantasia coletiva. No caso, o Holocausto.
 
Baseado numa história real, o filme acompanha um julgamento envolvendo um par de historiadores, a norte-americana Deborah Lipstadt e o inglês David Irving – interpretados por Rachel Weisz e Timothy Spall. Ele a levou aos tribunais em meados dos anos de 1990, quando ela o chamou, em um de seus livros, de ser um “negador” do Holocausto – o que é verdade, ele realmente o negava, mas disse que as palavras dela em público feriram sua reputação como historiador.
 
Dirigido por Mick Jackson (O Guarda-Costas), com roteiro assinado pelo dramaturgo David Hare (a partir de um livro de Deborah), o longa começa exatamente com Irving interrompendo uma palestra da historiadora, numa universidade em Atlanta, e causando alvoroço, oferecendo US$ 1 milhão a quem prove que os nazistas mataram judeus numa câmara de gás em Auschwitz. Oportunista, o historiador construiu uma carreira pouco respeitada por seus pares em cima de polêmicas como essa. Deborah, por sua vez, jurou que jamais discutiria com “negadores”, e deixa-o falando sozinho, atraindo atenção, até que os seguranças chegam para retirá-lo da sala.
 
Logo depois, Irving processa Deborah e sua editora, Penguin, na Inglaterra. As leis britânicas são um tanto peculiares, e a ré deverá refutar as evidências do seu acusador. Para isso, contará com um time de especialistas ingleses, liderados por Anthony Julius (Andrew Scott) e Richard Rampton (Tom Wilkinson), duas figuras proeminentes no mundo das leis do país.
 
Negação realmente se encontra quando começa o julgamento. O que está em jogo, no fundo, é mais do que a acusação contra Deborah, é a forma como a história é contada e discutida pelos especialistas. É um fardo grande e pesado para um filme sem muita ambição e uma direção burocrática – apesar do trio central de atores estar excepcional.
 
A frieza cirúrgica com que o roteiro de Hare recria as cenas de tribunal – em que Deborah foi proibida pelos advogados de servir como testemunha – não encontra uma ressonância emocional mais forte. Não é preciso conhecer o caso para imaginar como terminaria, por isso mesmo, um momento de catarse seria bem-vindo. O diretor, por sua vez, passou os últimos 20 anos dirigindo telefilmes, e isso fica claro em Negação, em sua superficialidade de procedimento legal.
 
O revisionismo barato de Irving precisava ser combatido. Mais do que provar que ele estava errado, era preciso provar que o Holocausto realmente aconteceu. Como fazer isso sem contar com testemunhos de sobreviventes na corte – os advogados de Deborah quiseram poupar essas pessoas – ou encontrar provas de algo tão bem escondido pelos nazistas? Se a historiadora leva a questão muito a sério, seu rival, por sua vez, parece um ginasial buscando fama e se divertindo. O filme, no entanto, por mais equívocos que apresente, tem um papel fundamental de nos lembrar da existência de Irvings por todo o mundo – seja negando Holocausto ou os horrores de uma ditadura.

Alysson Oliveira


Trailer


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