Eles só usam black tie

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

O suicídio transmitido pela internet de uma jovem de Johanesburgo faz com que seus amigos repensem suas vidas. A partir disso, o longa faz uma crônica sobre a juventude de negros e brancos da elite da cidade.


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Crítica Cineweb

01/03/2017

Eles só usam black tie (um nacional bem sacado, mas que não faz muito sentido em relação ao filme) é um raro retrato de uma elite de Johanesburgo vista de dentro. Sibs Shongwe-La Mer escreve, dirige e protagoniza esse drama sobre dois jovens negros, que circulam pelas altas rodas da juventude da cidade.
 
Sibs interpreta September, e Bonko Khoza, seu melhor amigo, Jabz, que são de famílias ricas e moram no subúrbio de Sandton, andam de um lado para o outro, curtindo a noite, as amizades e drogas. É um retrato de uma juventude vazia que lembra tanto a literatura do americano Brett Easton Ellis, como o cinema de Larry Clark, o que faz o filme parecer uma espécie de Kids sul-africano. Mas tal qual os filmes do diretor, o longa parece encantado demais consigo mesmo para se aprofundar ao invés de apenas chocar. As vidas dos rapazes e do seu grupo de amigos começam a mudar quando uma moça transmite ao vivo seu suicídio, se enforcando numa árvore em seu quintal.
 
O filme acompanha, então, um grupo de jovens mais ou menos próximos à garota, e todo o tédio e vazio existencial que os consomem. Aparecem em cena personagens como um traficante que passa o tempo vestido de noiva (Matthew Hall), e duas garotas judias (Ricci-Lee Kalish, Giovanna Winetzki) interessadas em fazer experimentos sexuais, entre outros.
 
Shongwe-La filma com um certo distanciamento emocional e uma voz comentando as cenas dá um tom documental a essa crônica de uma juventude em busca de uma razão de viver. É um retrato oposto, por exemplo, do Oscarizado sul-africano Infância Roubada, que mostrava o lado mais miserável e pobre da cidade. Mas ao se retratar o tédio da classe dominante corre-se o risco de tornar o resultado entediante, e, apesar de toda boa vontade, o longa não consegue superar essa contenção.
 
Os personagens são da geração nascida depois da libertação de Nelson Mandela, e já deram de cara com uma nova democracia, sem nunca terem enfrentado diretamente os horrores do regime do Apartheid, mas que ainda precisam enfrentam resíduos desse período. Desiludidos com o presente político do país, só resta aos personagens desfrutarem de sua situação elitista – embora a aparente integração entre brancos e negros esconda um racismo enraizado que poderá perdurar por anos ainda.

Alysson Oliveira


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