Insubstituível

Ficha técnica


Avaliação do leitor

PéssimoRuimRegularBomÓtimo 1 votos

Vote aqui


Locais de filmagem


Sinopse

Jean-Pierre é médico numa região rural, onde conhece a todos há anos, e já se tornou amigo próximo de seus pacientes. Diagnosticado com uma doença grave, ele precisa aceitar que deverá ser substituído. Uma médica recém-formada chega para ficar no seu lugar, e ele deverá treiná-la.


Nota Cineweb

PéssimoRuimRegularBomÓtimo


Crítica Cineweb

01/03/2017

Médico de formação e prática, o francês Thomas Lilti leva o seu metiê aos dois longas que escreveu e dirigiu: Hipócrates e agora Insubstituível, um dos maiores sucessos de bilheteria na França, no ano passado. Os dois filmes, no entanto, colocam seus protagonistas em polos diametralmente opostos. O primeiro é um jovem médico recém-formado que encara a dureza da realidade da profissão. O outro é veterano e trabalha numa região rural, e, ao ser diagnosticado com uma doença de difícil cura, precisa aceitar ser substituído.
 
A escolha de François Cluzet para o papel central, Jean-Pierre Werner, não podia ser mais acertada. O ator de Intocáveis é dono de um semblante que transmite confiança e segurança. O seu papel é de um médico peculiar, típico de uma cidade pequena, capaz de estabelecer uma relação de intimidade com os pacientes – algo próximo de uma amizade, mas que mantém o decoro profissional. Foram anos nessa prática para criar os vínculos e, quando ele é obrigado a aceitar uma nova colega, que ficará em seu lugar quando ele não puder mais trabalhar, o problema começa.
 
Apesar da doença grave – um câncer no cérebro – Jean-Pierre não quer abandonar o seu posto, e bate de frente com Nathalie Delezia (Marianne Denicourt), enviada pelo próprio médico que cuida do protagonista. Ela é mais jovem do que ele, e, obviamente, tem menos tempo na profissão, apesar de também ter exercido enfermagem previamente.
 
De cara, ela estranha os métodos de Jean-Pierre, exatamente o tipo de relação entre ele e os moradores da região, seus pacientes. É um embate entre dois tipos de medicina – a especializada dos hospitais da cidade grande versus uma que enxerga o paciente como um todo, criando laços entre ele e o médico. Ao mesmo tempo, o filme não transforma Nathalie numa vilã. São dois profissionais com visões de mundo diferentes, e, ao mesmo tempo necessárias, condicionadas pelo ambiente onde atuam.
 
Insubstituível se desenrola num clima de crônica pautada pela relação entre os dois personagens e o processo de descoberta de cada um em relação ao outro e a medicina. Nathalie não sabe da doença do colega. Lilti – que assina o roteiro com Baya Kasmi - , em alguns momentos, se vale de alguns clichês nesse duelo entre um homem e uma mulher, mas também é um alívio que não brote dali uma tensão sexual. São duas pessoas adultas capazes de trabalhar lado a lado sem se envolver romântica ou sexualmente – se fosse um filme americano, já teriam jogos amorosos aqui e ali.  
 
Ao mesmo tempo, a geografia humana da região onde a trama se passa compõe um painel interessante sobre a França rural do século XXI, na qual convivem o arcaico, o moderno e globalizado (uma festa tipicamente country é um dos pontos altos do filme). A observação do diretor é aguçada para o drama humano e se aproveita do olhar de seu médico capaz de diagnosticar pequenas mudanças apenas na conversa. “Pesquisas dizem que os médicos cortam os paciente em 22 segundos. Deixe eles falarem, eles mesmos darão o diagnóstico”, diz Jean-Pierre à colega.
 
Apesar de conhecer o ambiente e o jargão da medicina, Lilti nunca transforma seus trabalhos em filmes sobre doenças ou a medicina em si. Tanto aqui quanto em Hipócrates, são longas sobre dramas humanos, sobre personagens – que (quase por acaso) são médicos – sendo obrigados a encarar o mundo e a si mesmos de frente, e com isso amadurecer.

Alysson Oliveira


Trailer


Deixe seu comentário:

Imagem de segurança