Clarisse ou alguma coisa sobre nós dois

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Clarisse visita o pai na velha propriedade rural da família. Buscando respostas para questões mal-resolvidas do passado, em torno da morte da mãe e do irmão, ela confronta o pai e encontra um turbilhão em suas próprias emoções.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

30/01/2017

Clarisse ou Alguma Coisa Sobre Nós Dois, de Petrus Cariry, passa pela tela como um foguete, uma explosão de som, imagem, dramaturgia, expressão. O cinema de Petrus, em seu terceiro longa, é o da intensidade, da forma, do apego aos recursos da encenação, da simbologia, do ritualístico, do ancestral, da persistência do primitivo no presente.
 
Tudo isso e algo mais, como a cinefilia do diretor, impressa num DNA artístico que passa de Andrei Tarkovski a Stanley Kubrick, de Apichatpong Weerasethakul a John Carpenter, e muito mais está em Clarisse... um poderoso exemplar do sistema de crenças deste jovem e talentoso diretor cearense, que fecha neste longa o que ele mesmo define como “trilogia da morte”, iniciada por O Grão (2007) e Mãe e Filha (2011).
 
É, realmente, seu filme mais tenso e cheio de sangue – literal e metaforicamente, já que todas as obsessões da protagonista Clarisse (uma impecável Sabrina Greve, premiada no Cine Ceará 2016) passam pela linhagem, pela hereditariedade, pelas ligações com seu pai (Everaldo Pontes).
 
Há todo um tempo de gerações que paira sobre essa casa familiar – locação em Maranguape, onde se desenvolveram cinco semanas de filmagem. Dentro de suas paredes reverberam os fantasmas que impregnam Clarisse e o pai, a mãe e o irmão mortos, deixando atrás de si uma carga obscura de culpa.
 
Nada mais se diga sobre a trama, que se desenvolve em imagens poderosas, igualmente impregnadas do amor à pintura do diretor, que faz aqui a fotografia (como em Mãe e Filha), e sons inquietantes (som direto de Danilo Carvalho). Muito coerentemente, a ideia inicial da história nasceu de um sonho, em que Petrus visualizou uma mulher numa cama encharcada de sangue. A partir daí, ele escreveu o argumento, do qual nasceu o roteiro final, assinado por ele, o pai, Rosemberg Cariry, e Firmino Holanda.
 
Para Petrus, apesar da intensa carga dramática, seu filme é “de redenção, de libertação”, já que sua protagonista "rompe as amarras do patriarcado, exacerbando sua dor”, conforme comentou na première do filme, no Cine Ceará 2016. Ele conta que passou um mês na preparação da atriz Sabrina Greve, a cuja entrega ele atribui uma de suas maiores satisfações no filme, já que dependia dela uma enorme exposição, afinal concretizada.
 
Petrus já concluiu um novo trabalho, O Barco – em que ele adianta um novo tom, como ele mesmo define, “mais solar, aberto, menos claustrofóbico”. Este novíssimo deve estrear também em 2017.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 18/02/2017 - 09h41 - Por Ubirajara Sem dúvida um dos melhores filmes que assisti esse ano. Um prato cheio para os psicanalistas. Parabéns diretor,elenco e equipe em geral.
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