Estrelas além do tempo

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Sinopse

Katherine, Dorothy e Mary são três técnicas negras que trabalham num setor de cálculos matemáticos para embasar as missões espaciais da NASA no começo dos anos 1960. Mas, num tempo em que ainda havia leis de segregação contra os negros, elas sofrem discriminação e preconceito.


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Crítica Cineweb

25/01/2017

Baseado em livro de Margot Lee Shatterly, Estrelas além do Tempo, de Theodore Melfi, resgata a história de três desconhecidas mulheres negras que contribuíram para o progresso do programa espacial norte-americano nos anos 1960.
 
O filme acaba de conquistar o troféu de melhor elenco na premiação do Sindicato dos Atores da América e concorre a três Oscar: melhor filme, roteiro adaptado e atriz coadjuvante (Octavia Spencer).
 
Numa época em que ainda vigorava uma legislação segregacionista nos estados do sul, em 1961, um grupo de matemáticas e cientistas negras constituía um departamento à parte dentro da NASA, em sua sede em Hampton, Virginia, fazendo cálculos complicados para as missões espaciais, antes que ali houvesse computadores. Entre elas, está a matemática Katherine Johnson (Taraji P. Henson), um gênio nos cálculos; a supervisora do departamento, Dorothy Vaughn (Octavia Spencer); e Mary Johnson (Janelle Monae), que sonha formar-se engenheira, um cargo que ela já exerce na prática.
 
O talento de Katherine não passa despercebido, no entanto, e ela é requisitada para integrar a equipe de elite – toda constituída de homens brancos – que prepara a missão que mandará o primeiro astronauta norte-americano ao espaço. O chefe da equipe, Al Harrison (Kevin Costner), não se importa com distinções de sexo e cor, apenas quer os profissionais mais capacitados para essa missão, já que os norte-americanos perderam para os soviéticos a primazia de mandar o primeiro homem ao espaço, Iuri Gagárin, em março de 1961.
 
Fora Harrison, no entanto, todo o ambiente é hostil à recém-chegada, incluindo seu supervisor, Paul Stafford (Jim Parsons), que não mede esforços para diminuí-la. Não é o único. No dia seguinte ao que ela ousou tomar café da mesma garrafa térmica usada por todos em seu departamento, Katherine encontra uma garrafa separada, identificada para “pessoas de cor”. Além disso, no prédio em que agora ela trabalha não há banheiro para mulheres negras. Todo dia, ela tem que correr até o toilete de seu antigo local de trabalho, sendo repreendida pelo tempo que gasta.
 
Enquanto isso, a supervisora Dorothy reclama, sem sucesso, junto à própria chefe, Vivian Mitchell (Kirsten Dunst), para ter aumento salarial. Não raro, Dorothy é tratada como se fosse um dos contínuos, sendo mandada carregar inúmeras pastas de trabalho. Mary, por sua vez, trabalha no projeto de um foguete e quer um diploma de engenheira. Mas, para isso, terá que recorrer ao tribunal para poder frequentar uma escola noturna de brancos, já que na região não existe uma escola superior negra da especialidade.
 
A narrativa funciona de forma eficiente nesse retrato de época, expondo a convivência de tensões de classe, gênero e raça no ambiente polarizado da Guerra Fria e da corrida espacial entre norte-americanos e soviéticos. Mas também extrai humor de situações domésticas de suas protagonistas, como quando a viúva Katherine se envolve com o coronel Jim Johnson (Mahershala Ali, que concorre ao Oscar pelo ainda inédito Moonlight).
 
Se o racismo envenena as relações no dia a dia, inclusive no ambiente de elite da NASA, não faltam figuras progressistas como Al Harrison e também o astronauta John Glenn (Glen Powell) – que viria a ser o primeiro norte-americano a entrar em órbita da Terra e fazer três voltas ao planeta, em fevereiro de 1962.
 
Conduzido de forma sóbria, sem grandes ousadias, Estrelas do seu tempo dá conta do seu visível empenho politicamente correto carregado pela empatia de suas ótimas protagonistas. Com uma causa progressista como a delas, não há como não simpatizar. As verdadeiras protagonistas da história, das quais apenas Katherine está viva (com 98 anos), aparecem em fotos no final do filme, valorizando o componente de resgate de sua injusta invisibilidade até aqui.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 11/02/2017 - 22h38 - Por Ana O filme clichê mais delicioso do Sistema Solar.
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