A morte de Luís XIV

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Após voltar da caça, o rei francês Luís XIV sente uma insuportável dor na perna. O problema cresce e ele consulta médicos e faz diversos tratamentos. Nada parece dar certo e o rei perde suas forças dia a dia, contemplando a possibilidade de sua morte.


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Crítica Cineweb

18/01/2017

Não deixou de ter um significado simbólico a volta ao Festival de Cannes, em 2016, do ator Jean-Pierre Léaud, aos 72 anos, no mesmo cenário em que ele debutou, aos 14, como o inquieto adolescente de Os Incompreendidos (59), de François Truffaut.
 
O contraste entre aquele papel e o de 2016, na pele do velho rei moribundo do drama A morte de Louis XIV, de Albert Serra, não podia ser mais radical. Foi como se o corpo do ator fechasse um círculo na tela, da adolescência à velhice, da descoberta da vida à morte, um simbolismo que não escapou aos críticos que celebraram o filme de Serra em Cannes.
 
Contido e elegante, como é de seu estilo, o diretor catalão constrói minuciosamente nos detalhes uma história que, afinal, é minimalista. Baseando-se em memórias da época, de autores como Saint-Simon, o diretor reconstitui as últimas semanas de vida do outrora todo-poderoso Rei Sol, a partir do momento em que ele volta da caça com uma insuportável dor na perna.
 
O filme passa-se quase inteiramente no quarto do rei, apoiando-se numa fotografia que evoca as pinturas da época através do recurso à iluminação por velas, conduzida por Jonathan Ricqueburg. Neste quarto, o rei torna-se figura cada vez mais imóvel e impotente, em função da evolução de seu quadro clínico. Vê-se decair, paulatinamente, a força do rei, cujo declínio remete à sua incontornável fragilidade humana. Há todo uma contradição dramática entre o protocolo engomado que se mantém em torno da figura real que, no entanto, reduz-se cada vez mais a um corpo que definha a olhos vistos.
 
Diretor de obra reduzida e peculiar, como os recentes História de minha morte (2013) e Honra de Cavalaria (2006), Serra vale-se da própria corporalidade de Léaud como metáfora da transformação e da transitoriedade. Assim, realiza um filme de impacto forte em sua sutileza. 

Neusa Barbosa


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