Mistério na Costa Chanel

Mistério na Costa Chanel

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País


Sinopse

Em 1910, o rico clã Petteghen passa suas férias na fria costa norte da França, onde uma família simples, os Brufort, dedica-se à coleta de mariscos. O desaparecimento de turistas traz ao local a polícia para investigar.


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Crítica Cineweb

05/01/2017

Em sua nova comédia grotesca, Mistério na Costa Chanel, o cineasta francês Bruno Dumont revisita a região onde nasceu e filma suas histórias, o gelado litoral norte francês, no caso, a baía de Slack. Ambienta ali uma crônica de famílias, diferença de classes e trama policial, lembrando detalhes de sua obra anterior, a deliciosa minissérie cômica O Pequeno Quinquin.
 
O ano é 1910, o que dá um molho nostálgico aos figurinos e à casa do rico clã Van Petteghen – mas não é mera decoração e sim um lembrete do quanto as relações entre as classes são atávicas e resistentes a mudanças. Anualmente, o casal André (Fabrice Luchini) e Isabelle (Valeria Bruni Tedeschi), bem como a irmã dele, Auden (Juliette Binoche), e os filhos de ambos, passam férias naquele litoral. Ali bem perto, outro clã, os Brufort, vive arduamente da coleta de mariscos e também de um hábito macabro: o canibalismo.
 
O desaparecimento de alguns turistas atrai a visita de um inspetor, o obeso Machin (Didier Desprès), e seu fiel associado, Malfoy (Cyril Rigaux) – que lembra muito um personagem do gibi francês Tintin. A atuação da dupla reforça um elemento humorístico que existia também na investigação por trás de O Pequeno Quinquin, numa outra chave.
 
André, Isabelle e Auden são os próprios ricos alienados, olhando a realidade à sua volta como uma coisa pitoresca. Os pescadores, por sua vez, são rudes, raivosos e, embora a incompetência policial não esclareça, canibais. Acentuando o choque de classes, o adolescente Ma Loute Brufort (Brandon Lavieville) se apaixona pela burguesinha Billie (Raph), a filha transgênero de Auden, sempre vestida de rapaz.
 
Jogando com estes elementos de maneira burlesca, com um elenco que mescla estrelas do cinema francês (o que, até recentemente, o diretor recusava) e atores amadores (como o protagonista Brandon Lavieville), o filme explora fantasias que expõem o jogo de aparências da sociedade, sem nunca apostar no maniqueísmo. Não há bons contra maus aqui. No geral, são todos bem loucos e há um ar de Jacques Tati num registro sinistro no ar.
 
Dumont se arriscou como nunca neste novo filme, assim como seu elenco. Juliette Binoche, por exemplo, nunca interpretou uma personagem tão sem noção e afetada, assim como Valeria Bruni-Tedeschi. Normalmente chegado a um overacting, Fabrice Luchini consegue colocar este seu vício a serviço do personagem e da história – que não é para todos. Muitos vão sentir que, desta vez, Dumont, que ficou conhecido por seus dramas exigentes, como A vida de Jesus (97) e Camille Claudel 1915 (2003), exagerou.

Neusa Barbosa


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