Belos sonhos

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Sinopse

O menino Massimo vive uma vida idílica com a mãe, que adora. Ela morre de repente quando ele tem apenas 9 anos e seu mundo desaba. Ele cresce lidando com essa perda, confrontado com a distância emocional do pai e os conflitos do amadurecimento.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

12/12/2016

Adaptando o romance autobiográfico de Massimo Gramellini, o drama italiano Belos Sonhos dialoga sobremaneira com a obra do próprio diretor Marco Bellocchio, especialmente com alguns pontos de seu filme de estreia, De Punhos Cerrados (65). Mesmo não sendo um roteiro original seu, a história é povoada de pontos que são caros ao diretor, que lida magnificamente com este mergulho na psique e também na época de um jornalista, Massimo (adulto, interpretado por Valerio Mastandrea), traumatizado afetivamente pela morte precoce de sua mãe (Barbara Ronchi), quando ele tinha 9 anos.
 
Há um equilíbrio enorme na caracterização do personagem desde a infância, especialmente por conta dos dois ótimos atores que o interpretam em duas fases, Nicolò Cabras, quando menino, e Dario Dal Pero na adolescência. Um resultado, certamente, da intervenção de um diretor super-qualificado, capaz de extrair as diversas camadas do melodrama, ao qual não subtrai seu potencial emotivo, mas sem sucumbir a ele – como fazem os chorosos melodramas hollywoodianos.
 
Bellocchio compõe com nuances e realismo as diversas fases na vida de Massimo, tirando um ótimo proveito de imagens da televisão da época (anos 1950/1960) não só para situar a história temporalmente como para definir o papel que ela representa no imaginário do menino. Este se apega a uma heroína televisiva feiticeira, Belfagor – de quem sua mãe gostava -, para construir uma fantasia, um refúgio que lhe permite defender-se, não só da perda materna, como da frieza emocional do pai (Guido Caprino).
 
Além das inevitáveis passagens pelo catolicismo e o futebol, numa história ambientada em Turim, um outro tema nada desprezível relaciona-se com a profissão do protagonista. Há diversas situações em que Bellocchio injeta uma crítica ácida ao componente de manipulação das notícias – como quando o fotógrafo que acompanha Massimo na cobertura do conflito em Sarajevo, nos anos 1990, “Desperado” (Pier Giorgio Bellocchio), coloca dentro do quadro da foto de uma mulher morta também seu filho, que estava no quarto ao lado. É uma cena impactante, que expõe o sensacionalismo em seu mais alto grau.
 
Trata-se de um universo evidentemente muito masculino, em que o papel das mulheres é mais marginal – ainda que o centro da precariedade emocional do protagonista seja esta traumática morte precoce da mãe. Ainda assim, há participações femininas marcantes, como da francesa Emmanuele Devos, como a mãe de um amiguinho de Massimo, e Berenice Béjo, como uma médica que se torna seu interesse amoroso.

Neusa Barbosa


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