A economia do amor

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Sinopse

Depois de viver juntos por 15 anos e ter duas filhas gêmeas, Marie e Boris querem separar-se. Mas não chegam a um acordo sobre a divisão do valor da casa, que foi comprada por Marie mas reformada por Boris. E continuam a viver sob o mesmo teto, sempre em conflito.


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Crítica Cineweb

10/11/2016

Exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, o drama A economia do amor, do diretor belga Joachim Lafosse, é uma tentativa de investigar como a crise econômica pode envenenar a paixão, colocando-a a reboque do dinheiro – ou da falta dele. Há também um discreto toque de luta de classes no descompasso entre um ex-casal, Marie (Bérénice Bejo, indicada ao Oscar de coadjuvante em 2011 por O Artista) e Boris (Cédric Kahn), forçado a dividir o mesmo teto.
 
Moça de classe média alta, Marie comprou a casa onde vivem – mas foi o imigrante Boris, empreiteiro de construção civil, quem a reformou, adicionando-lhe valor. Depois de 15 anos de vida em comum, com duas filhas gêmeas, a paixão acabou e Marie quer vê-lo partir – mas ele exige metade do valor da casa, o que ela nega, arrastando o impasse e sustentando uma guerra surda entre quatro paredes.
 
Tudo é motivo para explosões, a partir de uma insistência de Marie de delimitar espaços e horários para que Boris conviva com as filhas, Jade (Jade Soentjens) e Margaux (Margaux Soentjens) – e as meninas ajudam a desmontar as tentativas da mãe, sabotando explicitamente uma separação que não desejam.
 
O mesmo faz a mãe de Marie, Christine (Marthe Keller) que, em mais de uma ocasião, manifesta simpatia pelo ex-genro, oferecendo-lhe inclusive trabalho numa velha casa familiar, o que sua filha rejeita asperamente.
Pela maneira lacunar como o roteiro constrói essa atmosfera à flor da pele, há um certo déficit dramático, como acontece costumeiramente no trabalho deste diretor, que assinou os irregulares Os Cavaleiros Brancos (2015) e Propriedade Privada (2006). Somada a isto a limitação de Bérénice Bejo para interpretações sutis, interiorizadas, a personagem feminina assume uma certa vilania, como se fosse puramente teimosa ou materialista. Visivelmente, há mais o que dizer por baixo de todo o seu rancor, mas, para isso, roteiro e direção teriam que garantir-lhe um delineamento mais sensível.
 
Ao confrontar o espectador com uma série de detalhes corriqueiros deste cotidiano do casal, o diretor parece querer levar-nos a compartilhar de sua exasperação – o que eventualmente até consegue. Fica faltando, no entanto, o espaço para assinalar a ambiguidade destas relações. 

Neusa Barbosa


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