Creepy

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Sinopse

Takakura é um ex-detetive de polícia que, depois de problemas no trabalho, é obrigado a trocar de profissão, e se muda com a mulher para o subúrbio. Porém, quando começa a ajudar um antigo colega, vê-se envolvido numa trama sobre o desaparecimento de uma família.


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Crítica Cineweb

07/11/2016

Poucos filmes fazem tanta justiça ao seu título como Creepy – que em português se traduz algo como assustador, arrepiante –, um estudo de personagem do diretor japonês Kiyoshi Kurosawa, um mestre do terror no seu país, que, no ano passado, fez o drama (com toques espíritas) Para o Outro Lado. Aqui, ele volta às suas origens com um suspense tenso que abusa da boa vontade de seu público.
 
Takakura (Hidetoshi Nishijima), um detetive de polícia, tenta usar suas teorias para evitar uma tragédia numa situação com refém. Porém, não dá certo e ele é obrigado a abandonar seu trabalho, tornando-se professor numa universidade e mudando-se para o subúrbio com sua mulher, Yasuko (Yuko Takeuchi).
 
Sozinha em casa durante boa parte do tempo, Yasuko tenta socializar com os vizinhos, mas é praticamente ignorada. Nishino (Teruyuki Kagawa) é o sujeito estranho (possivelmente o personagem-título aqui) da casa ao lado, que deixa claro não querer companhia. Mas Yasuko não desiste facilmente – o que gera algumas cenas cômicas –, oferecendo-lhe comida e atenção.
 
Enquanto isso, Takakura é procurado por um antigo colega de trabalho, precisando de ajuda. Uma família, composta por pai, mãe e um filho, desapareceu há seis anos, mas deixou para trás sua filha, que, com problemas de memória, pouco se lembra, mas o protagonista pode ajudá-la. As duas tramas correm mais ou menos em paralelo, até que a filha adolescente de Nishino procura o ex-detetive e lhe diz: “Ele não é meu pai, é um completo estranho”.
 
Ao armar todas essas tramas, o diretor – com roteiro assinado por ele e Chihiro Ikeda, a partir de um romance de Yutaka Maekawa – começa com reviravoltas e surpresas típicas de seus filmes. Tudo é exagerado, e o suspense psicológico vai dando espaço a uma montanha russa de emoções, com poucos altos e muito baixos. O personagem do detetive é heroico e sem nuances, o que o transforma num protagonista sem graça. O vizinho, ao menos, conta com um arsenal de caras e bocas para compensar.
 
Kurosawa não é diretor de terror que dispense sanguinolências. Seus suspenses e horrores são construídos por personagens, atmosferas, na fotografia e montagem – aqui assinadas por Akiko Ashizawa e Koichi Takahashi – e aqui não é diferente. É preciso deixar a expectativas por veracidade na porta do cinema. Talvez a graça deste filme esteja exatamente aí, no seu exagero.

Alysson Oliveira


Trailer


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