A cidade dos piratas

Ficha técnica

  • Nome: A cidade dos piratas
  • Nome Original: A cidade dos piratas
  • Cor filmagem: Colorida
  • Origem: Brasil
  • Ano de produção: 2018
  • Gênero: Comédia, Animação
  • Duração: 83 min
  • Classificação: Livre
  • Direção: Otto Guerra
  • Elenco:

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País


Sinopse

O diretor Otto Guerra está prestes a iniciar um filme sobre os Piratas do Tietê, personagens de quadrinhos criados por Laerte. Mas, em seu processo de transição, a cartunista rejeita os personagens e o filme empaca. Para continuar, o diretor dá vida às dificuldades que enfrenta para sair do labirinto que criou.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

23/10/2019

A animação Cidade dos Piratas talvez seja o 8 e meio de Otto Guerra. E também da cartunista Laerte Coutinho. Os dois em crise. Ele ao lutar contra um câncer de cólon, ela ao avançar em seu processo de transição, renegando personagens machistas criados em outros tempos e procurando seu lugar no mundo atual. E ambos transitando no labirinto que se tornou o País, intolerante com a criação artística e violento com as minorias, principalmente LGBTs.
 
A animação era para contar a história dos Piratas do Tietê, mas acabou tomando outro rumo com a rejeição de Laerte aos seus personagens, criados nos anos 1980. Otto insere sua própria história de sobrevivente ao câncer e atualiza o filme em novo registro.
 
Em carne e osso, Laerte faz reflexões sobre ser transgênero e aborda a pressão dos que lhe pedem explicações o tempo todo. Trechos de entrevistas a apresentadores como Marília Gabriela e Antônio Abujamra a colocam sempre nas cordas, em busca de detalhes de sua intimidade.
 
Essas cenas são intercaladas na animação com situações vividas por personagens criados pela própria Laerte - mesmo os famigerados e renegados piratas - que retratam o labirinto brasileiro, com direito a um Minotauro perseguido por um político homofóbico, que coloca sua cabeça a prêmio. Ou de Ivan, que trabalha em um serviço de ortopedia e à noite se traveste para sair às ruas, numa vida dupla que esconde da mulher, que começa a desconfiar de seus sumiços. É um personagem do novo mundo transgênero de Laerte.

Surreal, aparentemente sem pé nem cabeça, com a ajuda de Fernando Pessoa na narração, a história começa a ser construída pelo diretor em crise com sua doença. Pode parecer que as situações criadas, de puro nonsense, não levarão a lugar algum. Mas mesmo o absurdo explorado de forma caótica tem um efeito catártico tanto para Otto como para Laerte. É nesse sentido que a comparação com o filme de Fellini se apresenta como um exercício possível. Mas, ao contrário de 8 e meio, os personagens não buscam a paz de uma estação de águas para encontrar o equilíbrio. Eles revisitam o passado, como o diretor italiano de teatro em crise, mas não conseguem sair do centro do furacão. Vivem essa fúria permanente até às últimas consequências.

Luiz Vita


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