Doutor Estranho

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Sinopse

Stephan Strange é um renomado e arrogante cirurgião. Até o dia em que sofre um acidente e perde o controle do movimento das mãos. Em desespero para recuperar-se, ele procura um tratamento místico e milagroso no Nepal, onde entrará em contato com a sábia Anciã.


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Crítica Cineweb

27/10/2016

Desde as primeiras cenas, fica evidente que o maior mérito de Doutor Estranho é se estabelecer como um filme próprio dentro do universo cinematográfico Marvel. Embora existam referências para os fãs aqui e ali, até na cena durante os créditos – existe outra no final, então é melhor continuar na poltrona –, são bem pontuais e não descaracterizam o visual, a narrativa e o protagonista únicos do filme de Scott Derrickson.
 
Logo após o prólogo, no qual o público é apresentado à engenhosidade e aos truques do multiverso, este, até então, hipotético conjunto de universos paralelos que a ficção científica adora explorar, o longa ganha ares de série médica com a exposição do Dr. Stephan Strange (Benedict Cumberbatch) como um renomado neurocirurgião, cuja arrogância equivale à sua competência, de um hospital onde trabalha também a Dra. Christine Palmer (Rachel McAdams), sua antiga namorada. Quando sofre um acidente e perde qualquer precisão de movimento em suas mãos, ele faz de tudo para tentar recuperá-las, assim como sua carreira e sua vida. Por isso, parte para um tratamento milagroso no Nepal.
 
Chegando lá, o médico se depara com a Anciã (Tilda Swinton) e seu método de recuperação do corpo físico através do fortalecimento mental e espiritual, com a expansão dos conhecimentos sobre o universo. Mas não demora muito para o iniciante nessas artes se deparar com uma guerra mística, para além do embate físico de Os Vingadores, promovida pelo, antes aprendiz prodígio da Anciã, e agora maléfico Kaecilius (Mads Mikkelsen).
A construção deste vilão é fraca no roteiro assinado pelo diretor, ao lado de Jon Spaihts, de Prometheus (2012), e C. Robert Cargill, com quem escreveu A Entidade (2012), não trazendo uma grande trama em seu escopo. Em compensação, dedica-se à jornada de redenção do personagem, que passa de um médico supereficiente e arrogante a um homem que precisa utilizar a sua inteligência e novos dons a favor de um bem maior do que ele.
 
Com seu tipo inglês disfarçado pelo sotaque norte-americano, Cumberbatch consegue imprimir bem essas nuances, melhor do que o resto do elenco, sem tanta oportunidade em outros papéis. Destacam-se um pouco mais Chiwetel Ejiofor ao traçar um intrigante Mordo, e McAdams como um interesse romântico de herói mais humano do que o comum. Isso ajuda a lidar com um texto que oscila, nem sempre eficientemente, de um humor banal a reflexões filosóficas sobre vida e morte, além do tempo e espaço que existem entre elas. Sim, é um filme da Marvel e suas peculiaridades também se estendem ao visual, em que a produção se sobressai.
 
Vindo do gênero do terror, com O Exorcismo de Emily Rose (2005), A Entidade e Livrai-nos do Mal (2014), e sendo o remake de ficção científica O Dia em que a Terra Parou (2008) a sua exceção, Derrickson faz um ótimo trabalho com um blockbuster em mãos na tarefa de transcrever visualmente o multiverso e misticismo psicodélico do Doutor Estranho, criado na década de 1960 nos quadrinhos por Stan Lee, que faz sua habitual aparição, e Steve Ditko. Os efeitos visuais são utilizados em favor da narrativa e não por mera porn destruction, tão comum nas destruições megalomaníacas dos filmes de super-heróis de hoje.
 
Se o 3D IMAX garante uma ótima imersão na ação, há certa anestesia no público, que provavelmente vai se encantar com os efeitos especiais sem achá-los surpreendentes, até porque já antes já houve A Origem (2010) e suas ilusões inspiradas em M.C. Escher, além da psicodelia alucinógena dos anos 60 - diferente do ar “neon clean” dado no longa. De sessentista, ficam alguns acordes de sintetizadores e rock progressivo no final da trilha sonora de Michael Giacchino, que também incorpora ares orientais.

Nayara Reynaud


Trailer


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