Elle

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Sinopse

Executiva de sucesso, comandando uma empresa de videogames, sofre um estupro em sua elegante casa. A partir do episódio, ela demonstra reações inesperadas, que têm origem em episódios traumáticos de seu passado familiar.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

28/09/2016

Diretor por trás de Instinto Selvagem (1992), Paul Verhoeven, com 78 anos, mostrou que ainda é capaz de apertar os botões certos para provocar e divertir perversamente seu público em seu mais recente trabalho, Elle, que competiu no Festival de Cannes e foi indicado o representante francês a uma indicação ao Oscar de filme estrangeiro 2017.
 
A polêmica sobre jogos sexuais violentos envolvendo Michèle Leblanc (Isabelle Huppert, indicada ao Oscar) e um agressor mascarado – não revelemos ainda sua identidade, para não entregar nada antes da hora – certamente virá depois. Em todo caso, não há dúvida de que Verhoeven, como um Hitchcock moderno e bem mais explícito, explora os lados obscuros das pulsões de seus personagens, partindo do livro de Philippe Djian, autor de Betty Blue, que rendeu o filme cult de 1986.
 
A protagonista é uma executiva de sucesso, que comanda uma bem-sucedida empresa de videogames, ao lado de uma amiga, Anna (Anne Consigny) – uma chance para que o filme explore com ironia o choque de gerações, já que as duas senhoras chefiam uma turma de garotos. Cabe a Michèle exercer esse controle com mão de ferro, observações duras e nenhuma concessão.
 
O filme começa em tom alto, justamente pelo som da agressão sexual a Michèle em sua ampla casa - a princípio, nada se vê, exceto o final. Verhoeven voltará a essa cena outras vezes, para definir o caráter contraditório dessa mulher fria, calculista e que esconde um passado complicado, mantém relações ambíguas com seu casal de vizinhos, Patrick (Laurent Lafitte) e Rebecca (Virginie Efira), além de um duelo permanente com seu filho (Jonas Bloquet) e nora (Alice Isaaz).
 
Esse passado de Michèle, que envolve seu pai, justifica a reação surpreendente dela em relação à denúncia à polícia (mais uma vez, evite-se os detalhes). O que cabe dizer é que Elle é um filme de gênero que escapa de muitas armadilhas habituais justamente por pescar em águas sombrias e ser eficaz em seu suspense, humor negro e drama de gênero. A personagem foi feita à imagem e semelhança dos recursos de Isabelle, sempre crível quando é feroz. Essa consistência na composição da personagem é que impede que a história se torne misógina (embora sempre possa haver quem tenha essa interpretação). Provocativa ela é, e muito.

Neusa Barbosa


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Comentários:
  • 22/12/2016 - 12h33 - Por Otávio Pessoalmente, achei o filme bastante pretencioso. Dois pontos desenvolvidos no filme - o estupro e o passado na personagem - mereceriam, cada um, um filme. Fiquei com a sensaçao de que tinha simplesmente coisa demais no prato pra ser digerido. Claro que no fim das contas estes dois ingredientes convergem em direçao a uma mensagem clara - a de que as pessoas sao demasiado complexas para caber num simples predicado, mesmo aqueles que rotulamos "monstros". Acho a mensagem importante, ainda mais num mundo maniqueísta e punitivista como o nosso, mas nao gostei da forma como o filme transmitiu essa mensagem. Em primeiro lugar, nao gostei porque nao consegui conectar emocionalmente com os personagens - entao a mensagem, embora compreendida, foi uma mensagem "seca", sem sentimento envolvido (pelo menos da minha parte). Depois que eu acho que estupro é um tópico muito delicado para ser usado como acessório (e eu tenho minhas dúvidas se a conexao da protagonista com o estuprador é de bom gosto).

    É isso! Um abraço!
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