Kóblic

Ficha técnica


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País


Sinopse

Em 1977, o capitão da Aeronáutica Kóblic é convocado para pilotar um dos chamados "voos da morte", que conduziam militantes esquerdistas à morte. Recusando fazer parte disso, ele foge para o interior argentino, na propriedade de um amigo.


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Crítica Cineweb

08/09/2016

Juntando fragmentos de histórias reais, o drama Kóblic, de Sebastián Borensztein, compõe um duro retrato da vida nos primeiros tempos da ditadura militar argentina, em 1977 – além de materializar em seu protagonista, vivido por Ricardo Darín, um anti-herói fortalecido numa resistência ética acossada e solitária.
 
Darín vive o capitão Kóblic, piloto da Aeronáutica intimado a participar dos chamados “voos da morte”, que conduziram centenas de opositores do regime militar para serem lançados vivos em alto-mar. A memória deste episódio sinistro assombra o oficial, que decide fugir e entrar na clandestinidade, deixando sua mulher para trás. Ele parte para uma localidade remota no sul da Argentina, ocultando-se na propriedade de um amigo, que dirige um pequeno negócio de pulverização aérea agrícola.
 
Tudo o que Kóblic procura é invisibilidade. Mergulha no trabalho com um pequeno avião, dorme no hangar e pouco visita a cidadezinha. Mesmo assim, não são tempos em que alguém passe despercebido. O discreto recém-chegado atrai a atenção do delegado local, Velarde (Oscar Martínez), e este investiga secretamente sua identidade.
 
Numa trama que extrai seus conflitos de dilemas morais, um acerto é não sanitizar em excesso a figura de seu personagem central – ele tem hesitações, desacertos e, sobretudo, culpa pelo voo solitário, que volta à sua memória em fragmentos, filmados em clima de pesadelo. Por seu perfil, Kóblic remete muitas vezes à figura do cavaleiro solitário dos faroestes – e esta semelhança será peculiarmente explorada num confronto final com seu perseguidor.
 
A história paralela de Nancy (Inma Cuesta), dona do posto de gasolina local, introduz um bem-vindo contraponto intimista, que finalmente define também a sorte de Kóblic. Presa num relacionamento opressor com um homem bruto e mais velho, ela se sente atraída pelo piloto. A trama romântica soma tempero e ingredientes de perigo, pois o marido dela é figura próxima do delegado.
 
Repetindo parceria com Darín que deu tão certo na comédia dramática Um conto chinês (2011), o diretor acerta no aprofundamento de seus poucos personagens para sustentar um microcosmo capaz de retratar aqueles dias turbulentos - e sintetizar dentro de suas relações o espírito de um tempo repressor e sombrio.

Neusa Barbosa


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