O sono da morte

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Locais de filmagem


Sinopse

Jessie e Mark formam um casal que perdeu um filho num acidente. Resolvem adotar outro menino, Cody, que tem um histórico problemático de abandono. O garoto tem sono difícil. Na verdade, ele não quer dormir porque seus sonhos e também seus pesadelos se tornam realidade.


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Crítica Cineweb

31/08/2016

“Os seus sonhos podem se tornar realidade” serve de frase de motivação para tantas pessoas que já se tornou até um clichê piegas. Mas, para Cody, o menino especial vivido por Jacob Tremblay em O Sono da Morte, a afirmação é literalmente verdadeira. O ator mirim, que encantou a todos pelo talento e o carisma em O Quarto de Jack (2015), havia filmado bem antes este longa de Mike Flanagan, diretor que vem fazendo seu nome dentro do terror, com O Espelho (2013) e Hush: A Morte Ouve (2016), lançado diretamente na Netflix.
 
Talvez por isso tenha se optado pela estratégia de divulgação errada de atribuir seu “novo” trabalho ao mesmo gênero, sendo que a história dos pais que perderam o filho e decidem adotar uma nova criança que esconde certas peculiaridades está mais para um suspense dramático com toques fantásticos, sobrenaturais, do que para o horror. Em certa medida, apesar de guardar semelhanças com sua própria filmografia, a obra de Flanagan segue um caminho visto recentemente em Boneco do Mal (2016) e, especialmente, em Mama (2013).
 
Os pais ainda com dificuldades para assimilar a morte do pequeno Sean (Antonio Romero), após um acidente domiciliar, são interpretados por uma dupla de atores com experiência na área do terror e do suspense. Kate Bosworth, de Sob o Domínio do Medo e Terror na Ilha, e Thomas Jane, de O Nevoeiro e O Apanhador de Sonhos, são o casal Jessie e Mark, que adota Cody, um menino que, apesar da tenra idade, já sofreu o trauma de ser abandonado por algumas famílias. Esta é a causa que seus novos responsáveis atribuem para seus distúrbios do sono. Mas o garoto tem os seus motivos para até se beliscar a fim de não dormir de qualquer modo: seus sonhos se materializam ao seu redor, em formas magnificamente belas. Porém, seus pesadelos podem ser mortais.
 
É interessante como todos os personagens principais têm de superar o luto de algum jeito e o fazem de maneiras diferentes. A óbvia discussão do sentimento de substituição envolvido nesta adoção mistura-se com a exploração realizada por Jessie ao descobrir que Cody pode ser uma chave para ela ter o filho de volta. O roteiro psicológico de Mike e Jeff Howard, seu parceiro no texto de O Espelho, deixa o subconsciente do menino aflorar em bonitas imagens oníricas, condizentes com o nível de apreensão de uma criança em cada fase de sua vida – vide o aperfeiçoamento das formas das borboletas, tão amadas pelo garoto e que em sua natural transformação representam uma clara alegoria com o seu amadurecimento e a necessidade dos três de se transformar no meio da dor.
 
Contudo, se a concepção visual realizada até então é eficiente, a figura do Homem-Cancro, bem diferente do colega de pesadelo Freddy Krueger, vai perdendo seu poder aterrorizante no decorrer da trama. O clímax é quase um anticlímax, não pela resolução sentimental, que encontra uma justificativa muito mais terrena do que sobrenatural, mas pela confusa e pouco impactante construção da sequência até chegar aí.
 
Flanagan também apresenta dificuldades para encontrar o tom entre o drama e os sustos, mesmo com a competência de Bosworth e a capacidade de gerar empatia de Tremblay. A irregularidade da narrativa não impede, no entanto, que a mensagem chegue de maneira direta para o público, particularmente àqueles que encontrarem nela certa identificação por alguma perda pessoal.
 

Nayara Reynaud


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