A intrometida

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País


Sinopse

Lory é uma roteirista que mora em Los Angeles. Quando a mãe fica viúva, tenta compensar o vazio tentando ajudar demais a filha. Ela se ressente e a mãe passa a dar palpite também na vida de outras pessoas.


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Crítica Cineweb

28/07/2016

Mais de 15 anos atrás, Susan Sarandon levava uma Natalie Portman adolescente para a Los Angeles que sua personagem tanto sonhava, embora Beverly Hills estivesse longe dos desejos da filha dela, evidenciando a conturbada relação maternal que conduzia a comédia dramática Em Qualquer Outro Lugar (1999). Agora, ela é uma viúva que cresceu no Brooklin e está se mudando de Nova Jersey para a mesma L.A., com o intuito de ficar próxima de sua filhota, uma roteirista em seus 30 anos, vivida por Rose Byrne em A Intrometida.
 
Além do tom cômico-dramático e de uma ótima performance da veterana atriz, ganhadora do Oscar por Os Últimos Passos de um Homem (1995), o novo longa de Lorene Scafaria guarda similaridades com o outro estrelado por Sarandon na maneira como estas duas mães, igualmente protetoras e mandonas na vida de suas crias, geram identificação no público, que, em grande parte, se verá nelas ou sua própria mamãe ali. Mérito da diretora ao usar suas experiências com sua mãe Gail após a morte de seu pai em um filme autobiográfico universal.
 
Enquanto a filha Lory (Rose Byrne) está tentando escrever o piloto de uma série, Marnie Minervini (Susan Sarandon) enche a caixa de mensagens de voz do celular dela perguntando como ela está e descrevendo sua nova rotina em Los Angeles, em monólogos que funcionam como narração na abertura e em vários outros momentos. Suas ligações são tão frequentes quanto a música da Beyoncé em seu rádio do carro – Scafaria chegou a escrever uma carta à cantora para poder usar I Was Here na produção, já que a sua mãe realmente ouvia direto a canção e queria até pôr um trecho dela na lápide do marido.  
 
Marnie quer parecer que está bem, mas é possível perceber que a viúva tenta superar o luto ainda mal resolvido se intrometendo na vida da filha e, com o afastamento posterior dela, na de conhecidos, como o vendedor da loja da Apple (Jerrod Carmichael) ou a amiga de Lory (Cecily Strong). Abusando de atos generosos para se tornar importante para estes novos amigos e ser lembrada, Marnie evita, de todo modo, a solidão, fugindo do silêncio que a faz lembrar do marido. Ao mesmo tempo, esquiva-se da aproximação de possíveis pretendentes, como o ex-policial Zippie (J.K. Simmons) ou o companheiro de festas Mark (Michael McKean).
 
Lorene, que já escreveu Nick & Norah: Uma Noite de Amor e Música (2008) e também dirigiu Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo (2012), é responsável por este roteiro que carece de mais desenvolvimento na personagem da filha, que entra e sai da história sem que o público a conheça de fato, e peca por abandonar alguns assuntos e tramas abordados.
 
Mas nem isto impede o resultado sensível obtido por esta típica comédia de situação de tom agridoce. Graças ao talento de Susan, junto a um bom elenco, em tornar essa mulher tão crível em momentos de emoção sutil - como na cena do formulário, ou de riso frouxo, vide a figuração por engano ou o fascínio e as dúvidas dela com as tecnologias, que soam tão familiares. O maior mérito da jovem cineasta não tornar o filme uma mera terapia sua na tela.

Nayara Reynaud


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