Perfeita é a Mãe!

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Sinopse

Cansadas da dupla jornada em casa e no trabalho, das reclamações e acomodação dos maridos e dos filhos, três amigas decidem jogar tudo para o alto e criar novas regras para viver melhor. Mas encontram uma inimiga de peso: a presidente da APM do colégio em que os filhos estudam.


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Crítica Cineweb

20/07/2016

Bem em sua essência, Perfeita É A Mãe! é uma farsa sobre a eterna angústia materna de pensar que sempre está errando na educação dos filhos, em tempos de soluções mágicas de livros de autoajuda, regras ditadas por especialistas e e até patrulhamento virtual. Usando a lógica de produções como Mulheres Perfeitas de quebrar certa imagem de perfeição, promulgada aqui pelas próprias mães perfeccionistas, e de Professora Sem Classe para subvertê-la, a dupla Jon Lucas e Scott Moore, conhecida pelo roteiro de Se Beber, Não Case, termina por dissipar o potencial da obra em estereótipos juvenis.
 
O longa abre com a narração de Amy (Mila Kunis), uma mãe de 32 anos, tentando equilibrar sua rotina, entre cuidar de seus dois filhos pré-adolescentes (Oona Laurence e Emjay Anthony), do marido (David Walton), que é praticamente uma terceira criança, e do trabalho, onde lida com um chefe mimado. Quando uma descoberta coroa um dia ruim, ela decide afrouxar e até abandonar seus compromissos para viver um pouco por si só, sendo seguida pela certinha Kiki (Kristen Bell), sufocada pelo marido e suas quatro crianças, e incentivada pela relapsa Carla (Kathryn Hahn), que não tem paciência de ver o jogo de beisebol do seu rebento. A atitude delas, porém, irrita a controladora Gwendolyn (Christina Applegate), presidente da Associação de Pais e Mestres da escola, iniciando uma verdadeira guerra.
 
O primeiro ato demora a engatar, especialmente pelo humor forçado de cenas como a do supermercado. Mas as atrizes conseguem que, aos poucos, o público crie envolvimento suficiente com suas personagens – especialmente Kunis, que filmou logo após ter sua primeira filha, conferindo certa humanidade à protagonista, e Hahn, de Como Perder um Homem em 10 Dias, entregando os melhores diálogos. As muitas coadjuvantes são planas na construção do roteiro de Lucas e Moore, que seguem os caminhos fáceis e clichês de filmes colegiais – será que seria diferente se houvesse uma roteirista?
 
Com a luz estourada na fotografia de Jim Denault, que contraditoriamente parece estar sempre em um comercial de margarina, ou os momentos videoclípticos de slow motion sob uma ostensiva trilha sonora pop, o longa apresenta as mães como se estivessem em uma fraternidade de Vizinhos ou na festa de Finalmente 18, dirigido pela mesma dupla, colocando, muitas vezes, a simples delinquência como uma falsa libertação feminina. Em vários momentos, a dinâmica e, particularmente, o trio de rainhas que domina o colégio, só que pela APM, lembra Meninas Malvadas, mas sem que o texto e a direção tenham o atrevimento genuíno ou a ironia perspicaz daquele filme.
 
Ao pôr em perspectiva as neuras sobre alimentação e um milhão de atividades sobrecarregando as crianças de hoje e minando suas infâncias, além de questionar o papel materno esperado socialmente, a obra, porém, atinge o objetivo de levantar uma reflexão, ainda que caótica, sobre as cobranças maternas.

Nayara Reynaud


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