O Caseiro

Ficha técnica


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País


Sinopse

Uma menina começa a ter seu corpo coberto de misteriosos ferimentos. Sua irmã procura então um professor de psicologia que escreveu um livro para que ele ajude a família a decifrar o fenômeno - que o pai das garotas acredita estar ligado ao fantasma de um caseiro.


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Crítica Cineweb

21/06/2016

Quando adolescente, Julio Santi assistiu a O Sexto Sentido (1999) diversas vezes. Foi o que o jovem cineasta confessou durante a coletiva de lançamento de seu segundo longa, mas seu raro híbrido de suspense e terror dentro do cinema nacional deixa isso claro por si só. O Caseiro apela para o recurso do plot twist, a grande reviravolta que fizera do filme de M. Night Shyamalan um clássico, mas que hoje, após ser utilizado exaustivamente, tornou-se um clichê do gênero – que, ao ser mal utilizado, deixa na plateia uma sensação de trapaça.
 
Não chega a ser bem este o caso aqui, porque a produção consegue deixar antes uma boa impressão no público, especialmente para quem tinha baixas expectativas. Santi constrói com calma e paciência o mistério que aparece no caminho de Davi (Bruno Garcia), um professor de psicologia que escreveu um famoso livro em que explica as visões fantasmagóricas de um menino através da psicanálise.
 
Todo o seu ceticismo é confrontado quando a jovem Renata (Malu Rodrigues, de Confissões de Adolescente e longa carreira no teatro musical) o procura na faculdade onde leciona para pedir ajuda em favor de sua irmã caçula, Julia (a estreante Bianca Batista). A menina aparece machucada ao fim de toda noite, sem explicação, embora o pai delas (Leopoldo Pacheco, de Aparecida: O Milagre) acredite que o caseiro que se suicidou em sua propriedade, quando ele ainda era criança, esteja assombrando a sua filha.
 
Por isso, ele vai ao interior, passar um final de semana na casa onde ela e Rubens vivem com a tia Nora (Denise Weinberg, que trabalhara com o cineasta em seu primeiro e desconhecido longa, O Circo da Noite), a irmã Gabi (Victória Leister) – uma das personagens soltas, sem função narrativa clara no roteiro de Julio, escrito com o irmão Felipe Santi e João Segall – e a pequena Lili (Annalara Prates, também em seu debut), junto com uma série de mistérios que ronda o local e a família.
Dentro do orçamento limitado da produção, filmada em quatro semanas em uma chácara – onde, curiosamente, circulava a história de que o caseiro da locação havia se matado do outro lado do lago – em Jarinu, interior de São Paulo, o apuro visual obtido pelo longa surpreende. A fotografia de Ulrich Burtin faz uso constante da steadycam como forma de observação fantasmagórica do cotidiano familiar, em uma paleta sempre fria e um moderado chiaroescuro.
 
Com influência declarada de Os Suspeitos (2013), de Denis Villeneuve, e Os Inocentes (1961), de Jack Clayton, a direção de Santi ainda entrega referências óbvias, como a do corredor de O Iluminado (1980), de Stanley Kubrick. Por isso, por mais que se declare a intenção de fazer um filme de gênero tipicamente brasileiro, com o toque de espiritualismo e a boneca de pano da cultura daqui, os clichês do roteiro são tipicamente hollywoodianos.
 
Se O Caseiro não gera grande medo, a narrativa inicial é eficiente em termos de prender a atenção do espectador para entender a dinâmica daquela casa, talvez mal-assombrada. Mas a necessidade de se render a uma inovação que já virou lugar-comum, além de perder a chama da dúvida, causa uma mudança de ritmo ao se entregar totalmente ao terror e tornar o terceiro ato algo afobado.

Nayara Reynaud


Trailer


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