Mundo deserto de almas negras

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País


Sinopse

Oscar é um jovem e bem sucedido advogado da elite paulistana. A pedido de um misterioso cliente, ele aceita entregar celulares para membro de uma facção criminosa dentro de um presídio. Porém, quando tem sua carga roubada, passa a ser perseguido pelos perigosos contratantes.







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Crítica Cineweb

07/06/2016

A inversão de papéis como forma de crítica ácida vem ganhando corpo no cinema nacional neste ano. Após a mediana comédia Mulheres no Poder transformar o Congresso em Brasília em um reduto feminino para discutir não só a falta de equidade de gênero na política brasileira, mas também o círculo vicioso de corrupção do sistema, Mundo Deserto de Almas Negras chega às salas com um status de manifesto político mais claro, graças a uma escolha estética que se alia à proposta de mostrar uma sociedade em que os negros compõem a elite e os brancos são marginalizados nas classes mais baixas e entregues à criminalidade.
 
Tendo o Museu Afro Brasil como fonte de pesquisa e a Faculdade Zumbi dos Palmares como locação, a história se concentra em Oscar, um jovem advogado sendo posto à prova, que é interpretado com destreza pelo ator Sidney Santiago, de O Signo da Cidade (2007) e da novela O Caminho das Índias (2009), também responsável pela escolha do elenco prioritariamente negro.
Tudo começa quando um cliente misterioso lhe pede para entrar em um presídio e entregar um celular para um dos membros da Fundação, uma facção criminosa que logo começa a promover uma noite de terror em São Paulo – qualquer semelhança com os ataques do PCC de 2006 na capital paulista não são mera coincidência, quando a ação fictícia ocorre no indulto de Dia dos Pais e o episódio real aconteceu no Dia das Mães. Incidentes acabam colocando-o em uma espiral de desmandos e traições dos membros da gangue branca da qual parece ser impossível se desvencilhar, em um mundo dominado pelos negros.
 
Trata-se do primeiro longa do coletivo Heavybunker, dirigido e roteirizado por Ruy Veridiano, que recebeu uma menção honrosa no Cine PE de 2014, pela inventividade e ousadia em seu “espírito DJ”, ao mesmo tempo em que foi rechaçado pela crítica presente no festival por sua confusão e artificialismo. Na realidade, a produção fica em um meio-termo entre as opiniões radicais que suscita. Seu conceito “noir tropicalista”, como o próprio grupo gosta de falar de seu filme “gansta pop”, enriquece a crítica e sustenta a narrativa. Contudo, sua criatividade visual e sonora, ora impactante, ora sintética ao extremo – especialmente quando os diálogos que não primam pela naturalidade são falados em interpretações cruas de alguns coadjuvantes –, não esconda os buracos do roteiro, cuja trama pífia acaba esvaziando o seu discurso ao final.
 
Exemplo desta oscilação qualitativa é a fotografia de estética videoclíptica e visual de propaganda, repleta de travellings, na qual a iluminação dura pontua bons momentos como o do confronto entre Oscar e presidiário Paco (um vigoroso Renaldo Taunay) e se mostra exagerada em cenas sem impacto narrativo. Por sua vez, a trilha sonora assinada por DJ Zegon e André Laudz, do duo Tropkillaz – mais conhecido fora da cena eletrônica por sua parceria com a rapper Karol Conká em Tombei –, pode soar destoante um ou duas vezes, porém emprega uma modernidade e tensão em seus remixes de rap, funk e clássicos da bossa nova, do forró e algumas faixas d’Os Mutantes. São esses acertos que envolvem o espectador e podem manter toda a atenção a Mundo Deserto..., mesmo que não entregue tudo o que se espera.

Nayara Reynaud


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