Vida selvagem

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País


Sinopse

Nora e Paco viviam uma vida alternativa, à margem do consumismo e do capitalismo. Um dia, ela se cansa disso e decide levar os filhos com ela. Ela ganha a guarda, mas Paco, na primeira viagem de férias com os dois meninos, desaparece com eles sem deixar vestígios.


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Crítica Cineweb

07/06/2016

Dirigido por Cédric Kahn, Vida Selvagem inspira-se na verdadeira história de Xavier Frontin, homem que em 2009 foi manchete em todos os jornais na França, ao ser capturado, depois de 11 anos clandestino e fugindo com seus dois filhos – o que lhe valeu uma pena de dois anos de prisão.
 
A história desta drástica ruptura de um casal, que sonhou com uma vida alternativa, fora do capitalismo, do consumismo e do consumo, e divergiu dramaticamente quando ela – aqui, Nora (Céline Sallette) – cansa-se disso e decide voltar para a casa dos pais, levando consigo os três filhos, que acredita que devem dispor de melhor habitação, saúde e educação.
 
Paco, o marido (interpretado com paixão por Mathieu Kassovitz), é surpreendido pela fuga de mulher, levando consigo Thomas (Tara-Jay Bangalter), de 11 anos, filho de uma ligação anterior de Nora, que ele criava como seu, e seus filhos biológicos, Okyesa (Sofiance Neveu), de 8 anos, e Tsali (David Gastou), de 9 anos.
 
Jogados no turbilhão da separação dos pais, os meninos se dividem, sem entender tudo o que está em jogo. O conflito termina na justiça, com Nora ganhando a guarda das crianças. Nas primeiras férias que passam com o pai, Okyesa e Tsali são levados por ele – Thomas não quis ir – e desaparecem de vista. Incapaz de aceitar a ordem legal que o priva de ter seus filhos consigo todos os dias, Paco envia uma carta ao juiz em que praticamente o chantageia para conceder-lhe a guarda.
 
Enquanto isso, ele e os meninos viverão, novamente, a vida anterior, ou seja, longe da escola convencional, habitando alojamentos, acampamentos, imóveis ocupados, procurando sempre manter-se longe de vista, já que a polícia os procura. Ele os educará em casa, segundo seus próprios preceitos.
 
Certamente, apresentar o ponto de vista do pai, quando o da mãe foi objeto de uma ostensiva cobertura midiática na França, foi tentador para o diretor Cédric Khan – que retratou uma fuga de outra ordem em Roberto Succo (2001). Lá, como cá, o diretor empatiza com um tipo de marginal, que procura alternativas ao modo de vida dominante, como é o caso de Paco. Mas, à medida que o tempo passa, fica muito claro também seu perfil intransigente e ortodoxo, que finalmente o colocará em conflito com seus filhos na adolescência (interpretados agora por Jules Ritmanic e Romain Depret).
 
Em que pese ter contemplado esta ambiguidade do personagem, interpretado magnificamente por Kassovitz, o filme se ressente da ausência prolongada de Nora – que só aparece de passagem, numa foto de jornal, e na emotiva sequência final. Sem dúvida, para um maior equilíbrio da história, faltaria uma sua maior participação, introduzindo também seu ponto de vista. Afinal, nestes 11 anos de sumiço total dos filhos, foi ela quem perdeu tudo, a convivência com eles, que lhe custou seu amor, sua ligação afetiva. Não é pedir demais que suas razões estivessem mais presentes na tela, por mais que a teimosia de Paco fale por si mesma.

Neusa Barbosa


Trailer


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