Chocolate

Ficha técnica


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País


Sinopse

No começo do século XX, Rafael Padilla trabalha num circo no papel de canibal africano. Um palhaço decadente vê nele a chance de fazer algo novo se formarem uma dupla. Com o nome de Footit e Chocolate, eles revolucionam a arte clown na França da época.


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Crítica Cineweb

02/06/2016

Existe um paralelo muito claro entre Vênus Negra, um grande filme de Abdellatif Kechiche (pré-Palma de Ouro, por Azul é a Cor Mais Quente) e Chocolate, de Roschdy Zem, sobre o primeiro ator negro a fazer sucesso na França, na virada do século XIX. Aqui, no entanto, há toques cômicos – até porque o intérprete ficou famoso no circo – ausentes no filme de 2010. Omar Sy – que brilhou em Os Intocáveis, e fez uma participação esquecível no último Jurassic Park – é o personagem-título, cujo nome real é Rafael Padilla, um cubano levado para a Europa aos 8 anos.
 
Ele nos é apresentando em 1897, quando já adulto trabalha num circo no norte da França, no papel de um canibal africano assustador. Sem qualquer consciência da imagem depreciativa de si mesmo que esse personagem lhe dá, Padilla gosta do trabalho fácil e tem um caso com uma colega de trabalho. George Footit (James Thierrée, cada vez mais parecido com seu avô, Charlie Chaplin) é um palhaço que já não impressiona mais ou faz rir, mas vê no outro a chance de um número cômico conjunto.
 
Os dois não poderiam ser mais diferentes na forma como lidam com a profissão. Footit é técnico, apaixonado pela arte circense, enquanto Padilla é puramente instinto. De qualquer forma, há química entre eles, e seus números – que geralmente envolvem o homem branco fazendo o negro de tolo – têm sucesso. Tanto que são contratados para se apresentar num teatro parisiense de mais de mil lugares. Nesse momento, Padilla adota o nome artístico de Chocolate – fácil de lembrar, mas, ao mesmo tempo, também depreciativo.
 
Os dois encontram a fama – e Chocolate também é uma história sobre a ascensão e queda de artistas incapazes de lidar com a fama. Mas o filme incorpora uma outra camada: a questão de raça. Aos poucos, o protagonista conhece o sucesso, mas percebe que existe um limite imposto por ser negro quando é preso, e na cadeia conhece um intelectual haitiano que imaginava a França como um país onde existisse igualdade racial. Ele irá despertar a consciência que faltava a Padilla.
 
Embora Chocolate seja longo e se perca no meio – especialmente com a queda do seu protagonista –, o filme é de inegável importância, especialmente por discutir abertamente um tema tão atual. Se Zem conduz o filme sem muita inspiração – apesar da ótima direção de arte e fotografia –, sua abordagem de um assunto espinhoso e necessário é admirável, especialmente num país que finge não ver seu passado colonial e as consequências que perduram até hoje.

Alysson Oliveira


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