O valor de um homem

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Sinopse

Thierry tem mais de 50 anos, está desempregado e precisa de um trabalho para pagar as contas e cuidar do filho deficiente. Quando finalmente consegue uma posição, se vê diante de um dilema moral.


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Crítica Cineweb

19/05/2016

Nesses tempos estranhos, em que o respeito aos direitos humanos precisa sempre ser lembrado como conquista fundamental da humanidade, filmes como O valor de um homem, do diretor francês Stéphane Brizé, nos permite acreditar que ainda é possível discutir soluções para os problemas contemporâneos tendo o humanismo como ponto de partida ou de passagem. E a conquista, na semana passada, da Palma de Ouro pelo diretor britânico Ken Loach, com o filme Eu, Daniel Blake, sinaliza que o cinema está acompanhando de perto o agravamento da crise econômica e suas consequências, como a eliminação de postos de trabalho e o acirramento da intolerância racial contra as vítimas mais frágeis: os trabalhadores e os imigrantes.
 
O valor de um homem, que entra em cartaz nesta quinta-feira, chega aos cinemas brasileiros num momento político e econômico particularmente delicado, no qual os problemas abordados no filme têm muito em comum, não importando em que país vivem os personagens desse drama humano universal: o desemprego e o corte de benefícios trabalhistas e de programas sociais, praticados pelos governos para reduzir custos.
 
No filme de Brizé, Thierry (Vincent Lindon , vencedor do prêmio de melhor ator no festival de Cannes de 2015) está desempregado há vários meses e vê diminuírem suas opções para manter a família, em especial o filho que possui problemas mentais e precisa ser mantido em uma instituição especial, com todos os custos advindos. Em busca de qualquer oferta de emprego, não hesita em aceitar propostas com valores abaixo de sua competência ou em funções que lhe causem desconforto. Mas, como os tempos não estão fáceis, principalmente para quem tem mais de 50 anos, ele engole em seco as explicações mais absurdas e humilhantes que oferecem sobre sua atual situação. Ele só quer trabalhar.
 
Sua longa e extenuante jornada em busca de trabalho passa pela tomada de decisões dolorosas (como a venda de um trailer de veraneio da família), empréstimos bancários e tudo o que possa atenuar temporariamente sua situação financeira.
 
É particularmente enojante suas longas entrevistas com responsáveis pelas áreas de RH das empresas que, além de não lhe oferecerem nada digno, ainda o humilham colocando-o como responsável por não encontrar colocação profissional. Não é o mercado que é desumano, mas é ele que não possui preparo. Quando algum burocrata parece se interessar por seu currículo, a pergunta inevitável é: você aceitaria ganhar menos e trabalhar em qualquer turno de trabalho? A resposta de alguém já derrotado é sempre sim.
 
Thierry é apenas um operário comum, sem nenhum verniz intelectual, mas que procura manter a dignidade. Esse será seu grande desafio quando lhe propuserem trabalhar como segurança de uma loja de departamentos, bisbilhotando os consumidores por meio de câmeras e delatando colegas flagrados em ações desonestas contra a empresa.
É uma história crua, sem artifícios, apenas com o acompanhamento de uma câmera quase documental, na qual a atuação de Vincent Lindon acrescenta um rigor desconcertante.

Luiz Vita


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