Marie-Jo e Seus Dois Amores

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Crítica Cineweb

14/01/2003

Veterano criador do circuito de arte francês, Robert Guédiguian reuniu o mesmo elenco de seu filme anterior, A Cidade Está Tranqüila, a quem recorre como a uma companhia teatral de repertório, para contar uma história de amor trágica e ambivalente que só tem de convencional a sua aparência.

Marie-Jo (Ariane Ascaride, esplêndida atriz e mulher do diretor) é uma motorista de ambulâncias, dividida entre o casamento terno e tranqüilo com um pequeno empresário da construção (Jean-Pierre Darrousin) e a paixão por um capitão de navio (Gérard Meylan). Com o coração, a mente e o sexo genuinamente divididos entre os dois homens, Marie-Jo experimenta todas as dúvidas e opções, numa história que permite que os dois homens se expressem, apesar de notória predominância do ponto de vista e das emoções da protagonista.

É vibrante na cinematografia de Guédiguian como ele consegue extrair uma visão nova de temas tão exaustivamente abordados. Como o triângulo amoroso, em que franceses como François Truffaut e especialmente o sueco Ingmar Bergman pareciam ter esgotado todas as mensagens, ele instila sangue novo. Em momento algum da história se sente um déja-vu, porque este diretor-roteirista nunca opta pelo senso comum, embora seja tudo menos um elitista.

Onde estão a originalidade e o frescor deste filme? Primeiro, na naturalidade com que a protagonista se movimenta pela dualidade da situação, sem abrir espaço a qualquer moralismo. Ela sente culpa, decerto, porque ama seu marido, mas ama também o outro e, fiel a seus sentimentos, não quer abrir mão de nenhum pedaço do que ela considera sua felicidade individual, por direito. É o desejo em estado bruto, com a vantagem de que o roteiro e os diálogos afiados trazem à tona a humanidade de cada um dos integrantes do drama familiar - a mulher, o marido, o amante, a filha dela que não aceita o que houve (Julie-Marie Parmentier).

É uma abordagem completamente diversa, para dizer o mínimo, de um recente sucesso de bilheteria no Brasil, Infidelidade, de Adrian Lyne. Contrapor os dois, aliás, é quase um sacrilégio. Tudo que em Infidelidade é explícito e maniqueísta, em Marie-Jo é sinceridade e delicadeza. Há fãs para todo tipo de filme e muito mais para Lyne, ao que parece. Mas quem se arriscar nos labirintos de Marie-Jo, poderá desfrutar de um aroma com muito mais potencial para permanecer em sua memória de espectador.

Cineweb-29/11/2002

Neusa Barbosa


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