Os Anarquistas

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País


Sinopse

No final do século XIX, um sargento recebe a missão de se infiltrar num grupo anarquista em troca de uma promoção. Ele, porém, acaba se apaixonando por uma colega.


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Crítica Cineweb

11/05/2016

O problema de se fazer um filme sobre um movimento social ou um grupo político é que a obra pode se tornar extremamente panfletária ou extremamente anódina (usando a questão política como uma desculpa vazia). Os Anarquistas, do francês Elie Wajeman, cai facilmente na segunda categoria. Sua visão idealizada (o menor dos problemas) e gourmetizada, para usar uma expressão da moda, transforma um grupo de rebeldes em figuras que poderiam estar confortavelmente num ensaio de moda numa Vogue.
 
Combinando um elenco de peso – liderado por Tahar Rahim (O Profeta) e Adèle Exarchopoulos (Azul é a Cor Mais Quente) – com ideias mal resolvidas sobre política, sociedade e revolução, o diretor banha tudo com uma luz difusa – que estaria menos deslocada num filme sobre a Era do Jazz americana do que na Paris da vira do século XIX para o XX. Não é de se esperar que forma e conteúdo estejam em completa sintonia o tempo todo, mas um filme sobre algo tão progressivo merecia ser menos conservador e careta.
 
Tahar é Jean Albertini, um jovem oficial de polícia que para subir na carreira aceita se infiltrar num grupo de anarquistas. Lá porém, conhece Judith (Exarchopoulos, bela e limitada), por quem se apaixona, e o resto já é possível de se imaginar a partir dessa sinopse.
 
Trabalhando com um roteiro assinado por ele e Gaëlle Macé, Wajeman nunca se aprofunda nas motivações políticas ou psicológicas dos personagens. Os dilemas morais – especialmente de Jean – são óbvios porque qualquer personagem infiltrado num grupo (lembra de Leonardo DiCaprio em Os Infiltrados?) terá exatamente os mesmo dilemas, então política pouco importa no filme.
 
Rahin, que é um grande ator até em papéis mais limitados – veja Samba, por exemplo –, se esforça, mas há elementos estruturais que nem seu talento consegue superar. Ainda assim, tem algo a oferecer, alguma nuance, num personagem complexo (ou, ao menos, que deveria ser). Já Exarchopoulos, uma atriz de poucos recursos, atravessa o filme com a mesma pose de modelo e expressão de parva. Uma atriz de mais recursos – talvez Léa Seydoux, sua colega de Azul... – teria mais a oferecer à personagem.

Alysson Oliveira


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