Ralé

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País


Sinopse

Fundador de uma comunidade numa fazenda, Barão vai celebrar seu casamento com o bailarino Marcelo. Ali se realiza também o filme "A exibicionista", dirigido por um cineasta menino. Várias pessoas estão ali, vivendo suas experiências de liberdade.


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Crítica Cineweb

29/04/2016

Helena Ignez é uma luz no cinema brasileiro. Primeiro, como uma das atrizes mais capazes de incendiar uma tela que já se viram por aqui. Que o digam suas interpretações em O padre e a moça (66), O bandido da luz vermelha (68), A mulher de todos (69) e Copacabana mon amour (70), para recorrer a apenas alguns dos parâmetros de uma carreira única e exemplar.
 
Mulher primeiro de Glauber Rocha, depois de Rogério Sganzerla, Helena nunca foi a “mulher à sombra de um grande homem” do surrado clichê machista. Mesmo assim, só mais tardiamente se fez diretora, assinando em Ralé seu terceiro longa.
 
O cinema, para Helena, é o outro nome da liberdade. Assim, para percorrer as imagens do filme é preciso deixar para trás todas as expectativas de linearidade, entregando-se ao sabor da experiência que se compartilha na tela, de pessoas muito livres, velhos hippies, xamãs, jovens e velhos experimentadores dos próprios sonhos e vivências.
 
Um leve fio narrativo apresenta o Barão (Ney Matogrosso), um ex-viciado em heroína que funda uma comunidade numa espécie de fazenda (que fica em Serrinha, interior paulista) em torno do ayauasca, o chá do Santo Daime. Nesse lugar, realiza-se o casamento do Barão com seu parceiro, o dançarino Marcelo (Roberto Alencar), conduzido por um juiz transexual (André Guerreiro Lopes).
 
Na tela, está sempre acontecendo alguma coisa, ainda que não tenha relação imediata com o que se viu antes, exceto na fluidez e na liberdade. Um cineasta criança dirige um filme, A Exibicionista, protagonizado por uma Simone Spoladore sensual, antropofágico-oswaldiana, tropicalista. Há toda uma trupe libertária em movimento, vivida por Djin Sganzerla, Dan Nakagawa, Zé Celso Martinez Correa (cuja presença equivale a um aval para tudo o que o filme quer dizer). São pessoas que amam, compartilham a natureza e seus corpos, dividem trechos de expressões artísticas.
 
Encerrando em seu nome uma suave ligação com a peça homônima de Maxim Gorki, Ralé guia-se por seu fluxo de sensações, lançando imagens que não procuram amarrar-se a uma lógica pré-definida. É na superposição dos fragmentos, glauberiana e sganzerlamente, que se encontra o tom desta vivência em filme, que pede licença de leve para entrar nos olhos e no coração, mas requer espíritos livres para completar sua conexão.

Neusa Barbosa


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