A Senhora da Van

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Sinopse

Escritor e dramaturgo, Alan Bennett interessa-se pelo caso de uma senhora sem-teto, Mary Shepherd, que mora num carro caindo aos pedaços, que ela estaciona em qualquer lugar na sua rua. Um dia, ele acaba permitindo que ela estacione em sua garagem vazia. Ela acaba ficando 15 anos.


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Crítica Cineweb

31/03/2016

Por 15 anos, o escritor e dramaturgo Alan Bennett manteve uma inusitada hóspede na garagem de sua casa, no bairro londrino de Camden Town:  Mary Shepherd, uma idosa sem-teto que morava dentro de uma detonada van Bedford 1957.
 
A convivência entre eles rendeu um livro de memórias e também uma peça teatral assinada por Bennett, servindo de inspiração ao roteiro do filme A senhora da van, dirigido por Nicholas Hytner.
 
Para interpretar a protagonista, ninguém melhor do que a consagrada atriz Maggie Smith, que também interpretou Mary no teatro. Ao seu lado, Alex Jennings atua como o “anfitrião” Bennett, dividindo-se em duas versões dele, a do escritor e a do homem, permanentemente em conflito por conta do relacionamento com a hóspede – um recurso ficcional que funciona muito bem no filme.
 
Mary Shepherd e seu desconjuntado automóvel-abrigo faziam, há um bom tempo, parte da paisagem da rua do escritor. Não raro, as imprecações da idosa contra os moradores perturbavam o sossego do autor durante o trabalho. Assim, seus sentimentos são dúbios por ela. Tem pena de sua visível miséria, de suas roupas puídas e sujas, de sua evidente fragilidade física e mental. Ao mesmo tempo, não consegue evitar alguma raiva diante da perturbação e agressividade que ela espalha.
 
Até por essa permanente oportunidade de observação, além de eventuais diálogos com a personagem, Bennett sente-se confrontado pela intolerância de alguns vizinhos diante da indesejada “moradora”. Assim, quando Mary corre o risco de ter guinchado seu único bem, ele termina concordando em abrigá-la em sua garagem, afinal, vazia.
 
Não que o escritor pensasse, a princípio, que a convivência fosse estender-se por tantos anos. A resistência, até física, de Mary, apesar do modo de vida precário, desafia a tolerância ao seu redor – ainda mais porque ela não é exatamente mansa e cordata, muito menos agradecida, ainda que haja moradores da rua dispostos a dar-lhe presentes de Natal, que ela joga pela janela.
 
Bennett tem um motivo a mais para interessar-se por Mary – o desconforto que sente diante do envelhecimento da própria mãe (Gwen Taylor), cuja demência o levou a interná-la numa casa de repouso. É como se ele tivesse duas mães em paralelo, mas Mary ele ainda pudesse, de alguma forma resgatar.
 
Certamente, Mary não está disposta a facilitar a vida de nenhum de seus protetores. Ela é errática, selvagem, imprevisível, cheira mal. Há uma história pregressa por trás de tudo isso, que Bennett se dispõe a desvendar. Mas, mesmo conhecendo-a, isto não significa automaticamente uma vereda para a salvação.
 
A senhora da van é, antes de mais nada, um produto anti-Hollywood, temperado de humor inglês e afeto genuíno entre dois seres arredios e peculiares. E Maggie Smith é um trunfo que dispensa qualquer apresentação, encaixando-se num papel que é o extremo oposto da refinada condessa Violet Crawley da série Downton Abbey.

Neusa Barbosa


Trailer


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