Rua Cloverfield, 10

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Sinopse

Depois de abandonar seu namorado, Michelle se envolve em um acidente de carro. Ao acordar, percebe que está presa em um bunker. Seus captores, Howard e Emmett, dizem que o mundo se tornou inabitável depois de um ataque químico global. Michelle suspeita que seja mentira.


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Crítica Cineweb

31/03/2016

Rua Cloverfield, 10, primeiro longa de Dan Trachtenberg é uma dessas produções que quanto mais detalhes se dá sobre a trama, menos graça tem a sessão de cinema. Isso porque conta com a criatividade de J.J. Abrams, produtor do filme, que conseguiu torná-lo uma incógnita, mesmo em um mundo superconectado, onde spoilers cercam os futuros espectadores.

A estratégia de Abrams apoiou-se em dois recursos. O primeiro foi lançar oficialmente o filme dois meses antes de estar pronto, o que evitou a pressão por vazamentos durante sua produção. Mas, principalmente, teve sucesso em criar uma ligação com o sucesso de 2008, o terror monstruoso Cloverfield (também produzido por ele), sem jamais explicar como ela ocorre – ou se realmente ocorre. Apenas indicou uma suposta “ligação de sangue”.

O que pode ser dito é que este novo projeto tem início com Michelle (Mary Elizabeth Winstead) fugindo do que parece uma relação infeliz com o namorado Ben (voz de Bradley Cooper). Na estrada, envolve-se em um acidente (não fica muito claro o que ocorreu) e acaba inconsciente.

Quando acorda, percebe que está presa e, não só isso, vivendo no bunker de Howard (John Goodman). A explicação é seca: ocorreu um ataque químico em escala global e o planeta se tornou inabitável. O anfitrião, assim, diz a ela que salvou sua vida, tal como a de um segundo convidado, Emmett (John Gallagher Jr.), e devem ficar ali debaixo de suas regras.

A partir da desconfiança entre os personagens, Trachtenberg e Abrams criam uma engenhosa tensão psicológica, que dá vigor à narrativa. Um trabalho ampliado pelas atuações de Winstead e Goodmam, a sinuosa trilha sonora (Bear McCreary), os ambientes claustrofóbicos desenhados por Ramsey Avery e o movimento de câmera (mesmo em espaços exíguos como a tubulação de ar) de Jeff Cutter.

A despeito das ligações com o primeiro Cloverfield  – que, aqui, parece ter mais a ver com uma relação de marca do que realmente com a história – esta nova produção funciona por si só. E, sem dúvida, funciona melhor quanto menos o espectador conhecer previamente o enredo.
 

Rodrigo Zavala


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