Floresta Maldita

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Depois que sua irmã gêmea, Jess, desaparece na floresta de Aokigahara, famoso local procurado por suicidas, a norte-americana Sara vai em busca dela, acreditando que pode estar viva. A expedição a coloca em confronto com seus próprios fantasmas pessoais e forças sobrenaturais.


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Crítica Cineweb

21/03/2016

Talvez não seja o tipo de curiosidade mórbida que você caça na internet, mas se fizer uma pesquisa no Google sobre os lugares mais procurados no mundo para cometer suicídio, chega a ser surpreendente a afirmação de que, entre tantas pontes e penhascos na lista – o primeiro seria a Golden Gate em São Francisco (EUA) –, a floresta de Aokigahara, no Japão, seria o segundo local preferido para a prática. Localizado na base do Monte Fuji, o ponto que registra quase 100 casos por ano – o governo deixou de contá-los oficialmente a fim de não estimular ainda mais – já serviu de base para escritores e outros criadores japoneses, mas agora ganhou atenção de Hollywood e o mais novo exemplo é o terror Floresta Maldita (2016).
 
É certo que toda a história e as lendas que envolvem o lugar geram uma premissa instigante do ponto de vista ficcional. Do mesmo modo, o risco de cometer deslizes dentro de aspectos morais é muito grande. E, infelizmente, é o que ocorre com o filme “duplamente” estrelado por Natalie Dormer, da badalada série Game of Thrones. Muito porque o diretor estreante em longas, Jason Zada, e o time de roteiristas não conseguem construir uma narrativa eficiente a partir da interessante ideia inicial e acabam caindo na exploração de um trauma nacional para uma simples apropriação estrangeira em forma de horror barato.
 
A trama acompanha a busca da norte-americana Sara Price (a inglesa Natalie Dormer em sua versão loira mais conhecida) pela sua irmã gêmea Jess (a mesma Natalie, mas de cabelos negros e estilo mais gótico), desaparecida na mata em Aokigahara após uma excursão da escola de Tóquio, onde leciona inglês. Apesar da fama do local, conhecido como Floresta dos Suicidas, e do histórico autodestrutivo da professora, Sara acredita que Jess ainda está viva, já que, como gêmeas, elas possuem aquela ligação especial, praticamente sensitiva uma em relação à outra, como acredita a sabedoria popular. Para isso, ela larga o noivo (Eoin Macken) nos Estados Unidos e parte para o Japão, onde conta com a ajuda de Aiden (Taylor Kinney, de Mulheres ao Ataque), um jornalista que acabara de conhecer na região, e de um guia local (Yukiyoshi Ozawa).
 
A procura pela irmã, no entanto, serve como uma busca da protagonista pelo seu próprio passado. A ideia de um trauma represado no inconsciente de Sara, com o qual não consegue lidar desde a infância, aparece de maneira inteligente a princípi. Contudo, o acerto logo se dilui em más escolhas da direção e do texto. Assim como os personagens que se perdem no meio da mata, o roteiro de Nick Antosca, Sarah Cornwell e Ben Ketai sai de sua trilha e deixa de lado sua essência de terror psicológico para investir na vertente sobrenatural da história, não de forma proveitosa, mas de maneira abusiva.
 
Aparentemente, a intenção era utilizar as lendas que cercam Aokigahara, de que os Yūrei – fantasmas do folclore japonês – dos que ali morreram exercem certa influência negativa sobre as pessoas que adentram a mata, como gatilho para os problemas internalizados da protagonista. No entanto, Zada prefere abusar de sustos pra lá de gratuitos, a exemplo da sequência no hotel, que tornam as manifestações sobrenaturais posteriores pouco efetivas de tão familiares que se mostram, vide a obviedade da trilha sonora. O diretor publicitário premiado pela mistura de curta interativo e aplicativo do Facebook Take This Lollipop (2011) arruína a atmosfera de mistério e medo inerente à floresta ao mesmo tempo que mina a dubiedade de Aiden.
 
Entre isso e a incongruência no retrato das figuras locais, não há muito que reprovar na performance dupla de Natalie Dormer, pois o material oferecido é escasso. Por mais que a diferença gritante de personalidade das gêmeas se apoie em estereótipos pobres, esta distinção permite à atriz explorar várias nuances nos dois papéis, mesmo que a irmã desaparecida tenha pouco tempo em tela.
 
O curioso é que a floresta de Aokigahara também inspirou outro filme recente: o novo longa de Gus Van Sant, o drama The Sea of Trees (2015), vaiado em sua première em Cannes e ainda sem previsão de lançamento no Brasil. Ao que parece, uma pesquisa na internet sobre o local é mais perturbadora e reflexiva do que Hollywood ofereceu sobre o tema até agora.

Nayara Reynaud


Trailer


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