Sinfonia da Necrópole

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País


Sinopse

Deodato é um aprendiz de coveiro que não gosta da profissão. Jacqueline trabalha no Serviço Funerário, mapeando os túmulos abandonados. Ele logo se apaixona por ela, mas coisas estranhas acontecem.


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Crítica Cineweb

17/03/2016

Inexplicavelmente esnobado nas premiações das principais categorias nos Festivais de Paulínia e Gramado – de onde saiu apenas com os troféus de trilha sonora e da Associação Brasileira de Crítico de Cinema (ABRACCINE), respectivamente – Sinfonia da Necrópole é um filme único na filmografia nacional, e não apenas por ser um musical que se passa num cemitério, com influências de Bertolt Brecht, Kurt Weill, filmes da Disney.
 
O longa marca a estreia na direção solo de Juliana Rojas – que fez com Marco Dutra, entre outros, Trabalhar Cansa – e traz em si elementos caros à diretora, e já presentes em sua filmografia de curtas – como Lençol Branco – especialmente o humor que emerge do absurdo e das situações de estranhamento, além de questões que figuram elementos do Brasil contemporâneo.
 
O filme combina questões sociais – como precarização do trabalho e especulação imobiliária – e as materializa dentro de um cemitério em São Paulo, onde túmulos estão sendo relocados para abrir espaço para novos jazigos. Enfim, elementos comuns também na “vida do lado de fora do cemitério”.

Deodato (Eduardo Gomes) é um jovem aprendiz que coveiro (e ex-plantador de couves, “couveiro”), que sente mal toda vez que vê um enterro. Com a chegada de Jacqueline (Luciana Paes), funcionária da prefeitura responsável pela reestruturação do cemitério, sua rotina muda, e ele passa a acompanhar na catalogação dos jazigos.  Aos poucos, Deodato, atrapalhado e assustado, começa a se apaixonar por Jacqueline – seu oposto: destemida e um tanto mandona.
 
Se o ponto de partida soa mórbido, Juliana traz algo de lúdico nessa trama inusitada. É especialmente nas letras (assinadas por Juliana e Dutra) e nos números musicais que Sinfonia da Necrópole encontra sua leveza. Ainda assim, debaixo do véu do cômico e do jocoso, os temas sérios se apresentam.
 
O trabalho de Jacqueline não passa de mera especulação imobiliária – o cemitério faz as vezes da cidade. “Os túmulos abandonados poderão ser revendidos, e a preços facilitados, os restos mortais, esquecidos”, diz uma das canções. Já os funcionários do cemitério precisam se adequar aos “novos tempos, novas ideias para a modernização”. O que, no fundo, quer dizer aumento da exploração.
 
Com suas peculiaridades e humor, Sinfonia da Necrópole confirma Juliana Rojas como um dos talentos a se prestar atenção no cinema brasileiro contemporâneo. Ela fez um filme especial em seu gosto pelo estranho, mas também pelas questões sociais tão urgentes que incorpora.

Alysson Oliveira


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