Vida que Segue

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Crítica Cineweb

13/03/2003

Não foi à toa que a atriz Susan Sarandon interessou-se em produzir este filme, que parte de uma história extremamente pessoal do diretor e roteirista Brad Silberling (mais conhecido por Gasparzinho e Cidade dos Anjos). Apesar do indiscutível talento e de um Oscar na estante de casa (por sua atuação em Os Últimos Passos de um Homem, de 95) Susan já atingiu aquela idade em que as atrizes em Hollywood são vitimadas pelo preconceito absurdo de um mercado que lhes nega bons papéis, tendo de ir à luta pessoalmente para encontrar alguns deles. E aqui está uma personagem que faz justiça a todos os instintos criativos da intérprete.

Susan é JoJo Floss, uma escritora abalada pela perda trágica da única filha, a jovem Diana (Careena Melia), morta a tiros por acaso numa noite em que esperava o pai, Ben (Dustin Hoffman) numa lanchonete em frente ao escritório dele. A tragédia é tanto maior na medida em que se preparava o casamento de Diana com Joe Nast (Jake Gyllenhaal). Daí, os pais e o noivo têm de se preocupar com as providências do enterro ao mesmo tempo que com a desmontagem da festa de casamento.

Sobra para o noivo, por exemplo, ir à agência de correio recolher os convites para a cerimônia que já estavam para ser despachados. Neste lugar, ele conhece a jovem Bertie (Ellen Pompeo), que, do alto da intuição de quem também esconde uma cicatriz emocional, identifica em Joe uma alma gêmea e logo, alguma coisa mais do que um ombro amigo.

Esta insinuação de um romance, de uma vida que segue - como entrega o óbvio título brasileiro - é um fator a mais de complicação para o jovem. Afinal, depois da morte da noiva, ele está morando com os pais dela e tornou-se, sem querer, um filho substituto, uma tábua de salvação, especialmente para Ben, que o torna seu sócio no escritório de corretagem de imóveis.

O atrativo maior na história de Silberling vem justamente de como foi capaz de abordar temas como a dor, a perda de alguém querido e a reconstrução da própria vida evitando o batido caminho da pieguice. Não que não haja clichês, mas ao menos o diretor e roteirista revela o esforço de procurar uma forma mais sóbria de tratar destes assuntos. E faz um filme digno, com várias passagens de humor saborosas - como a cena em que Susan Sarandon atira ao fogo da lareira a pilha de manuais de auto-ajuda que recebeu de amigos para enfrentar a dor. Ao compor esta história, o diretor provavelmente exorciza sua ligação pessoal com o tema. Em 1989, Silberling namorava a atriz de TV Rebecca Schaeffer, que foi assassinada aos 22 anos, na frente de sua casa, em Los Angeles, por um fã perturbado a quem dera um autógrafo minutos antes.

Cineweb-15/11/2002

Neusa Barbosa


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