Fique comigo

Ficha técnica


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País


Sinopse

Numa periferia da França, em um prédio com o elevador quebrado, três pessoas que vivem sozinhas têm suas rotinas alteradas: um homem, que devido a uma “overdose” de bicicleta ergométrica, acaba numa cadeira de rodas e conhece uma misteriosa enfermeira do plantão noturno; um adolescente, cujos pais estão sempre ausentes, se envolve com a nova vizinha, uma atriz de cinema com idade para ser sua mãe; e uma imigrante argelina, que aguarda a saída de seu único filho da prisão, acolhe um astronauta americano que cai do espaço e bate à sua porta.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

24/02/2016

O elevador sempre quebrado da comédia dramática francesa Fique comigo é um símbolo eficiente do que vem a seguir. O filme do diretor Samuel Benchetrit constrói-se em torno de um conjunto habitacional de periferia francesa e extrai momentos admiravelmente cândidos, dramáticos e engraçados ao intercalar três duplas de personagens num ambiente precário.
 
Até por causa do elevador, a história começa com uma reunião de condomínio, em que fica acertado que todos os moradores pagarão pelo conserto. Todos, menos Sterkowitz (Gustave Kervern), que alega não usá-lo, já que é morador do primeiro andar. Os demais moradores concordam com a isenção dele, sob a condição de proibi-lo de usar o elevador.
 
A história de Sterkowitz fica um pouco mais complicada quando ele sofre um enfarte, decorrente de seus excessos na bicicleta ergométrica. Como resultado, quando ele volta para casa, tem que usar uma cadeira de rodas – o que o coloca num impasse, já que o prédio não tem rampa para deficientes.
 
A saída é o jeitinho. Quando a noite cai, Sterkowitz usa clandestinamente o elevador, para buscar salgadinhos num distribuidor automático do subsolo de um hospital. Nesse ambiente completamente despojado de romantismo, ele encontra uma enfermeira (Valeria Bruni-Tedeschi), que sempre sai para fumar no seu intervalo do plantão da madrugada. E o coração dos solitários palpita.
 
Há solidão, também, na vida do adolescente Charly (Jules Benchetrit), outro morador do mesmo prédio. Sua mãe, ele praticamente não vê. Ela sai cedo para trabalhar e deixa bilhetes, dinheiro para o lanche. Entregue a si mesmo, ele vai para a escola e espia os vizinhos, como a nova moradora do apartamento em frente, Jeanne Meyer (Isabelle Huppert).
 
Atriz veterana e decadente, que vive cercada das lembranças de uma longa carreira, Jeanne um dia vai precisar da ajuda do vizinho quando se tranca acidentalmente do lado de fora. A partir daí, surge um relacionamento entre gerações.
 
A dupla mais bizarra do condomínio é formada no momento em que cai por ali um astronauta americano, John McKenzie (Michael Pitt), quando reentrava o planeta a partir de uma estação espacial. Enquanto o socorro da NASA não vem, ele é acolhido na casa de uma dona-de-casa argelina, a sra. Hamida (Tassadit Mandi).
 
Este é, de longe, o segmento mais rico em ironia e sugestões, já que remete automaticamente às tensões entre a potência norte-americana e os muçulmanos. Mas, neste pequeno apartamento francês, ainda que não falem a mesma língua, o yankee e a árabe se entendem perfeitamente. Ela cozinha para ele e o trata como um filho (já que o seu está na cadeia). Há bastante ternura ao longo da história e ela é humanista e não piedosa. E o filme perdura na memória, deixando um sabor agridoce.

Neusa Barbosa


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