Amor em Sampa

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País


Sinopse

O taxista Cosmo percorre a cidade de São Paulo e vive um dilema amoroso com uma modelo, Lara. Seu amigo, o publicitário Mauro, se apaixonou por Tutti, uma mulher traumatizada. Seu assistente, Raduan, sofre porque o parceiro não quer assumir a situação deles. E duas jovens atrizes, Mabel e Carol, estão dispostas a tudo por um papel numa peça.


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Crítica Cineweb

24/02/2016

Sim, existe amor em SP. É o que defende o novo filme familiar de Bruna Lombardi e Carlos Alberto Riccelli, a comédia musical Amor em Sampa, um raro esforço em um gênero pouco explorado no Brasil. Por mais que sejam louváveis a experiência e as boas intenções do projeto, o longa roteirizado pela atriz e dirigido pelo ator junto com o filho deles, Kim Riccelli – que foi assistente do pai em outros dois trabalhos do casal, Onde Está a Felicidade? (2011) e O Signo da Cidade (2007) –, falha em vários aspectos de sua construção narrativa, embora nunca deixe de ser simpático ao público. Peca justamente por ter uma visão limitada de sua amada, a homenageada metrópole em questão.
 
Na tentativa de traduzir a pluralidade da capital paulista, Lombardi faz um exercício semelhante ao que realizou em Signo, ao optar por uma coletânea de histórias e personagens. Quem conduz as cinco tramas é o taxista Cosmo, interpretado pelo próprio Riccelli, que também vive seus dilemas com as mulheres, incluindo a interesseira modelo Lara (Miá Mello). Um de seus clientes e seu grande amigo é o prestigiado publicitário Mauro (Rodrigo Lombardi), que, além de enfrentar o desafio de viabilizar um projeto sustentável para São Paulo, tenta quebrar a barreira sentimental criada pela estilista Tutti (Mariana Lima), após alguns problemas pessoais.
 
Enquanto isso, o assistente dela, Raduan (Tiago Abravanel), sofre com o medo do parceiro, Ravid (Marcello Airoldi), de assumir o compromisso deles publicamente. A acionista do maior cliente de Mauro, a impenetrável Aniz (Bruna Lombardi), estabelece uma relação de gato e rato com Lucas (Eduardo Moscovis), o ambicioso gestor da empresa. E a peça patrocinada pela agência do publicitário serve de palco para um jogo de interesses entre as amigas e aspirantes a atrizes Mabel e Carol (Letícia Colin e Bianca Müller) com o diretor Mateus (Kim Riccelli).
 
A junção de musical, um gênero por si só muito complicado de manter o ritmo, com um filme-coral, cuja estrutura também dificulta a fluidez da narrativa, exige um domínio do cineasta, não demonstrado aqui. O roteiro de Bruna compensa a falta de tempo para o desenvolvimento dos personagens abusando dos estereótipos, sendo que as figuras femininas são impregnadas de um caráter dúbio, até uma visão machista. Nem texto nem direção são capazes de suavizar de maneira inteligente os discursos morais e a agenda ecológica dos diálogos.
 
A boa impressão deixada pela contagiante canção que abre o longa, ao mesmo tempo crítica e terna ao falar da vida na metrópole, não se confirma. Compostas pela família – embora haja nos créditos um agradecimento a Charles Möeller e Claudio Botelho, conhecidos como “os reis dos musicais” –, as músicas são, em sua maioria, ruins. Junto às letras fracas ou, às vezes, até de mau gosto – uma, especialmente, segue a onda da paródia O Lado Bom de Ser Gay do Comédia MTV, sem a perspicácia e ironia do antigo humorístico –, os números ainda demonstram a falta de preparação vocal de parte do elenco, que, fora deste quesito, não compromete o resultado final.
 
Contudo, há que se destacar a qualidade técnica da produção, em particular, a fotografia de Marcelo Trotta, mesmo que a lente de sua câmera se concentre mais no skyline paulistano com seus arranha-céus do que na sua população.
 
Aliás, essa versão pasteurizada de São Paulo é gritante para a plateia local, já que a periferia está ausente; há poucos negros no casting, até entre os figurantes; a forte influência dos imigrantes é quase esquecida; são retratadas apenas pessoas de níveis sociais mais elevados ou de profissões consideradas “bacanas”, com poucos personagens comuns e não-glamourizados; e o repertório não faz jus à cena musical variada da cidade.
 
Por isso, a presença, mesmo que breve, da atriz Luciana Paes no elenco remete a outro musical brasileiro moderno que ela protagoniza, Sinfonia da Necrópole (2014), previsto para estrear comercialmente em abril: a obra de Juliana Rojas mostra uma São Paulo muito mais verdadeira e humana em sua atmosfera dark do que a Sampa turística e gourmetizada deste filme.

Nayara Reynaud


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