Uma Adolescente de Verdade

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Crítica Cineweb

13/03/2003

Quem conhece Romance (99), já sabe o que esperar da diretora francesa Catherine Breillat, que vem construindo uma cinematografia edificada numa certa visão da sexualidade, calcada na perversão e na procura proposital do escândalo. Este que foi seu primeiro filme com certeza corresponde à imagem da cineasta. De quebra, ganhou maior visibilidade depois de ter permanecido proibido mesmo na França, país sempre tido como liberal, onde só foi lançado comercialmente em 1999.

Quando se fala em perversão na obra de Breillat, com certeza não se deve esperar ver no termo o mesmo sentido usado por Luis Buñuel, que com certeza elevou as mais ocultas pulsões do ser humano a elevadas formas da arte - caso de A Bela da Tarde (67) ou Tristana (70). Ou, para usar exemplos brasileiros, as transposições cinematográficas das geniais obras de Nelson Rodrigues, outro autor que mergulhou fundo no assunto, especialmente em Toda Nudez Será Castigada (73) e O Casamento (75), ambas do cineasta Arnaldo Jabor.

Breillat não atinge nunca essa profundidade no retrato de seus personagens, que permitiria que eles emergissem mais humanos. Todos eles parecem sombras um tanto ocas que estão na tela para transportar as obsessões da cineasta, cujo objetivo é mais chocar do que esclarecer. Legítimo, sem dúvida, mas não para todos os gostos.

Neste seu filme de estréia, a protagonista é uma jovem de 16 anos, Alice Bonnard (Charlotte Alexandra). De férias na casa dos pais (Rita Meiden e Bruno Balp), no campo, a garota se entedia enormemente, bem naquela idade em que os hormônios fervem, colocando em primeiro plano a descoberta do próprio corpo e a ânsia pela primeira transa. Mas, na visão da diretora (que adapta aqui um de seus próprios livros, Le Soupirail, de 1974), a sensualidade passa necessariamente pelo filtro do nojo.

A garota vive infantilmente obcecada pelos seus próprios fluidos, até pela cera de seu ouvido. Numa noite, vomita e fica assim, com a roupa suja, escrevendo seu próprio diário - "o nojo me torna lúcida", ela justifica. As fantasias que alimenta com um trabalhador de uma serraria, Jim (Hiram Keller), não representam imagens atraentes: ela se vê amarrada junto a uma cerca de arame farpado, onde Jim faz um uso nada ortodoxo de uma minhoca, que ele termina por cortar em pedaços. Estes são apenas alguns exemplos de como a diretora enxerga a sexualidade, uma visão que, pensando bem, é mais perversa do que propriamente pervertida. Assistir aos trabalhos de Catherine Breillat exige uma disposição masoquista. Quem não compartilhar dessa inclinação, é melhor evitar.

Cineweb-26/7/2002

Neusa Barbosa


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