13 horas: os soldados secretos de Benghazi

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Sinopse

Em 2012, a embaixada americana na Líbia e uma unidade anexa da CIA são atacadas, culminando em quatro mortes, inclusive do embaixador. Os militares encarregados da proteção tentam reagir e salvar os demais.


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Crítica Cineweb

16/02/2016

Não faltam perseguições de carro, tiros, muitas explosões e testosterona no novo filme de Michael Bay. Todas as marcas da pirotecnia visual do cineasta de grande sucesso comercial e gosto duvidoso não só para críticos, mas também para uma parcela significativa do público, estão presentes em 13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi, além de seus fetiches de exaltação por tudo que seja militar e/ou relacionado a machos alfa. No entanto, há uma certa contenção no uso desses elementos que torna o novo esforço do diretor e produtor em um trabalho bem mais centrado e amadurecido do que seus filmes de franquias, como Transformers e As Tartarugas Ninja.
 
O retrato aqui é do ataque à instalação diplomática dos Estados Unidos e ao complexo da CIA em Benghazi, ocorrido entre a noite de 11 de setembro de 2012 e o amanhecer do dia seguinte, que levou à morte do embaixador norte-americano Christopher Stevens e de mais três pessoas. Baseado no livro escrito por Mitchell Zuckoff através de entrevistas com os membros da equipe de segurança do Anexo, como era chamado o prédio da agência ianque na cidade líbia, o roteiro do novelista Chuck Hogan, responsável pelo romance que originou Atração Perigosa (2010), acompanha, durante aqueles momentos decisivos, os seis ex-militares contratados para proteger os agentes da inteligência.
 
O foco recai em Jake Silva (John Krasinski, mais conhecido pela série The Office), ex-fuzileiro naval e novato no grupamento. Pelas descrições do amigo dele, Tyrone 'Rone' Woods (James Badge Dale, de Guerra Mundial Z), o público conhece junto com o protagonista a dinâmica do serviço e daquele lugar. Contudo, o tempo gasto nesta apresentação acaba estendendo demasiadamente o filme, já que o segundo e o terceiro ato são dedicados exclusivamente à descrição do fogo cruzado, com detalhismo e tensão, este prolongado pela constante e tremulante câmera na mão e cortes expressos na edição – aliás, montagem que se demonstra um tanto confusa quanto à distribuição espacial de cada um em alguns instantes.
 
Dentro da equipe, os estereótipos escancaram a função restrita e unilateral dos outros componentes da segurança, como a de alívio cômico de Kris 'Tanto' Paronto (Pablo Schreiber). Fora deste círculo, os personagens são ainda mais reduzidos, como a agente da CIA que, narrativamente, serve de escada para exaltação desses heróis. O roteiro ainda recai em soluções fáceis e incoerentes, a exemplo da desculpa do drone na barreira de rebeldes, e no sentimentalismo acentuado por uma trilha sonora exagerada, como na cena totalmente fora de tom no drive-thru do McDonalds.
 
Novamente abordando uma temática que lhe é cara, Bay traz à tona os conflitos na Líbia causados por grupos rebeldes após a queda do ditador Muamar Kadafi, cuja morte parecia prenunciar um período de paz naquele país. Só que não foi isso que o futuro trouxe: ao contrário, a falência do Estado líbio fomentou, e ainda alimenta, braços do Estado Islâmico na região. Entretanto, todo o contexto histórico e as consequências da Primavera Árabe ali são apenas assunto para os créditos iniciais e finais, já que o longa prefere a ação pela ação e, claro, unicamente o ponto de vista norte-americano.
 
A cena final do choro das mães árabes não compensa a falta de voz do “outro lado” durante toda a exibição, enquanto todo patriotismo ao extremo – “entrei andando neste país e vou sair andando” reafirma o bravo combatente Oz (Max Martini) em certo momento – não encontra base no desenvolvimento dos personagens, em comparação ao muito superior Sniper Americano.
 
Por outro lado, há um questionamento às instituições norte-americanas, inédito para o cineasta, e seu tributo a esses heróis solitários, abandonados à própria sorte, realimenta nos EUA a controvérsia sobre o ocorrido, especialmente em época de corrida presidencial – a pré-candidata democrata Hillary Clinton era secretária de Estado na época. Por isso, a interessante tensão construída entre os caras dos músculos da equipe especial e os cérebros da inteligência da CIA, que estão longe de serem Jason Bourne, se fosse bem desenvolvida, teria potencial de elevar o conteúdo e a discussão em 13 Horas, pois o quesito entretenimento já está garantido.

Nayara Reynaud


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