A Vingança Está na Moda

A Vingança Está na Moda

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Kate Winslet intepreta uma modista dos anos 50, que retorna para sua cidade natal, no interior do país, a fim de descobrir a verdade sobre um acidente passado e transformar a rotina da pequena Dungatar.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

10/02/2016


Para fazer uma analogia com o próprio mundo que A Vingança Está na Moda aborda, o filme estrelado por Kate Winslet seria aquele modelito difícil de definir por sua mistura de elementos que, a princípio, traz uma surpreendente harmonia em sua diversidade, até que os ajustes de última hora exibem o exagero nos adereços e acessórios finais. O novo longa de Jocelyn Moorhouse, cineasta australiana que volta após um grande hiato em sua carreira – sua última direção foi em 1997, com Terras Perdidas, e o derradeiro roteiro em 2002, com Amor a Toda Prova –, é uma fusão de gêneros beirando o absurdo até cair em um confuso abismo.


Adaptação do livro de Roselie Ham, publicado com grande sucesso na Austrália, em 2000, a produção traz para as telas o Outback, como é conhecido o interior desértico daquele país, por meio da fictícia Dungatar. É para lá que retorna a modista Myrtle Dunnage (Kate Winslet), para usar a linguagem corrente dos anos 1950, quando se passa a história. Expulsa da pequena cidade quando criança, por acreditarem que matou o menino Evan Pettyman, filho do prefeito que fazia bullying com ela e outros colegas, “Tilly” reaparece com a intenção de descobrir o que aconteceu, já que não se recorda muito do incidente, mas tem certeza de sua inocência.


A vingança destacada no título brasileiro vem por meio dos vestidos criados pela estilista – os figurinos de Margot Wilson e Marion Boyce são obviamente um destaque na produção –, que primeiro a auxiliam a atrapalhar o jogo de rúgbi local e depois promovem uma transformação na acanhada Gertrude Pratt (Sarah Snook) que parece fazer a população esquecer seu passado. Mmas muitas coisas ainda vão acontecer em sua estadia em Dungatar, especialmente na convivência conturbada com sua eremita e esquecida mãe, Molly (Judy Davis).


O roteiro escrito por Moorhouse com o marido P.J. Hogan, de O Casamento de Muriel (1994) e Peter Pan (2003), traz a sucessão de eventos do livro em uma combinação de melodrama com comédia screwball – ou maluca, na qual o inusitado dá o tom – e toques de policial, noir e até faroeste. A estranha miscelânea de gêneros, que parece compor uma unidade graciosa no início, se mostra não tão homogênea até entrar em descompasso no terceiro ato.


Se Jocelyn erra a mão na dose e abordagens, ao menos, tem em mãos um bom elenco para sustentar a trama em suas derrapadas. Mesmo longe das performances que lhe deram um Oscar e mais seis indicações, Winslet hipnotiza como uma verdadeira mulher fatal popularizada pelos filmes daquela época, como o clássico de Billy Wilder, Crepúsculo dos Deuses (1950), que sua protagonista vai ver com o jovem Teddy (Liam Hemsworth vivendo um interesse romântico bem diferente de seu Gale de Jogos Vorazes). Aliás, quem os acompanha nesta ida ao cinema é a mãe dela, para Judy Davis, atriz recorrente de Woody Allen em longas como Maridos e Esposas (1992), mais uma vez roubar a cena com a louca lucidez que emprega em Molly.


À exceção do sargento Farrat (Hugo Weaving lembrando os tempos de Priscilla, a Rainha do Deserto, de 1994), policial crossdresser que esconde sua paixão por tecidos, Tilly enfrenta o desprezo e desconfiança de todos os outros habitantes da pequena Dungatar, tipos pintados em cores tão fortes quanto a fotografia de Donald McAlpine. Com referências shakespearianas destacadas na menção à Macbeth e humor negro intenso, a obra envolve tanto o público nesta contraposição entre Tilly e este microcosmo de hipocrisia, que tem muito de real em seu absurdo, que não há como evitar uma ponta de contentamento com seu catártico clímax.
 

Nayara Reynaud


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