Como Ser Solteira

Ficha técnica


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Locais de filmagem


Sinopse

Depois de formar-se na universidade, Alice decide dar um tempo no namoro e viver sozinha em Nova York. Lá, trabalha num escritório de advocacia e torna-se amiga da descolada Robin, que vai lhe abrir as portas da metrópole.


Nota Cineweb

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Crítica Cineweb

10/02/2016

A música não está em sua charmosa trilha sonora pop e indie, mas uma versão contida, quase acústica com ukelele, do hit Girls Just Wanna Have Fun traduziria acertadamente o clima relaxado e reflexivo de Como Ser Solteira. Estreia em Hollywood do diretor alemão Christian Ditter, cujo filme anterior foi o agradável romance anglo-germânico Simplesmente Acontece (2014), a comédia romântica protagonizada por Dakota Johnson escorrega, diversas vezes durante a exibição, em sua tentativa de fugir de convenções do gênero para logo entrar nos eixos e deixar uma impressão final satisfatória.
 
Podendo mostrar seu viés cômico, apesar do material não oferecer muito, a estrela de Cinquenta Tons de Cinza encarna Alice, uma jovem que acaba de terminar a faculdade e pede um tempo ao simpático namorado Josh (Nicholas Braun), para poder vivenciar, pela primeira vez em sua vida, como é morar sozinha.
 
Sua jornada de autoconhecimento se inicia com a mudança para Nova York, onde encontra um emprego em um escritório de advocacia e rapidamente faz amizade com Robin (Rebel Wilson), que lhe apresenta a vida noturna da metrópole. A atriz australiana interpreta a despachada colega como uma repetição do mesmo tipo, aquele da Fat Amy de Escolha Perfeita, mas com uma inegável eficiência em arrancar risadas do público em quase todas as suas piadas sexuais.
 
A princípio, Alice divide apartamento com sua irmã mais velha, a obstetra Meg (Leslie Mann, de Mulheres ao Ataque) que, em seus 40 anos, tem uma vida dedicada à carreira e um declarado pavor de crianças, que se dissipa quando se vê sua interação com o bebê de suas pacientes ultrapassar os limites da fofura.
 
Enquanto ela começa os planos de realizar uma fertilização in vitro, paralelamente, Lucy (Alison Brie) tenta encontrar seu pai perfeito virtualmente, enquanto aproveita o wi-fi do bar de Tom (Anders Holm). Embora Lucy seja a menos desenvolvida e a mais deslocada das figuras femininas, sua trajetória de quebras de certos clichês bem que poderia ser explorada de melhor forma pelo script inspirado no livro homônimo de Liz Tuccilo, da equipe de roteiristas de Sex and the City, seriado citado durante o longa, assim como Bridget Jones.
 
Escrito por Abby Kohn, Marc Silverstain e Dana Fox, o texto do trio, cujo resquício de uma origem de autoajuda se faz sentir em diálogos explícitos, apresenta uma ligeira evolução na sua fuga dos chavões das comédias românticas. Algumas questões-tabus não são tratadas como obstáculo ou motivo de piada, só como elementos de construção do personagem. Ao mesmo tempo, as falhas das figuras masculinas os tornam mais reais do que meros estereótipos do cara babaca, galinha ou idiota. Neste sentido, entre boas aparições de Holm e Damon Wayans Jr. para balançar o coração da protagonista, quem se destaca é o ator Jake Lacy, mostrando uma ótima química com Mann.
 
Entretanto, no geral, os relacionamentos duradouros ou casuais ainda são o que guia as tramas das personagens, que, em sua maioria, não são aprofundadas em sua carreira profissional – sendo que as tentativas de autoconhecimento, em uma vivência sozinha e sem a ajuda de um parceiro, vêm bem tardiamente.
 
Ditter embala esse conteúdo com um visual jovem cativante, entre uma linguagem pop, com uso de gráficos na tela, e do cinema indie, visto na fotografia do parceiro de longa data Christian Rein e sua predileção pela presença marcante da luz solar. Outro feito do filme é ter, entre o frescor de sua seleção musical, uma utilização tão renovadora e significativa narrativamente da clássica canção Can’t Take My Eyes Off You.

Nayara Reynaud


Trailer


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