História da minha morte

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Sinopse

Em algum momento entre os século XVIII e XIX o marquês veneziano Giacomo Casanova chega a uma pequena aldeia ao norte da França, onde amplia o número de suas conquistas amorosas e faz reflexões políticas e filosóficas com seu vassalo. Mas o conde Drácula chega ao local e os perigos aumentam no vilarejo.


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Crítica Cineweb

08/02/2016

Afeito a um cinema mais experimental , despolitizado e que sempre busca a própria beleza estética, o diretor e roteirista catalão Albert Serra não é para todos, sabe disso e não se importa. Incendiário nos discursos e entrevistas – chegou a dizer que atores são todos idiotas –, questiona o que chama de cinema burguês, em que o espectador se reconhece na tela.

No entanto, essa característica é um tanto paradoxal, já que usa em sua filmografia fantástica invariavelmente personagens extraídos da literatura e do imaginário popular, como Dom Quixote (Honra de Cavalaria, de 2006) e os três Reis Magos (O Canto dos Pássaros, 2008). No seu terceiro longa, que chega com quase três anos de atraso ao Brasil, História da Minha Morte, a escolha do autor recai sobre o libertino marquês veneziano Casanova (Vicenç Altaió) e o sombrio Drácula (Eliseu Huertas).

O curioso encontro se dá em algum ponto ente os séculos XVIII e XIX em um minúsculo vilarejo ao norte da França. Lá, um envelhecido Casanova dedica-se a ampliar suas conquistas amorosas junto às moças locais e fazer reflexões filosóficas e políticas junto ao seu vassalo, que pouco ou nada fala. Mas o que parecia um descanso idílico muda com a chegada do conde Drácula, com seu obscurantismo e depravação. 
 
Os dois mundos colidem, expressando também o estado das coisas na época, quando o iluminismo, com seu racionalismo, se opunha ao romantismo na emoção. Não por acaso, a história é contada por Casanova, de onde provem o título do filme, a tal história de sua morte. Mais do que um personagem, trata-se da morte simbólica de uma percepção, uma ideia de mundo.

O percurso narrativo escolhido por Serra é tortuoso. Em mais de duas horas de projeção, ele não tem qualquer pressa em construir sua história (com planos longuíssimos) a partir de opostos, entre seus protagonistas, mas também na paleta de cores e, sem dúvida, no jogo de luz e sombra, tão caro ao seu cinema. O diretor quer fazer o espectador contemplar cada personagem e cena, razão pela qual venceu com esta obra o Festival de Locarno, em 2013. 

Rodrigo Zavala


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