O Novíssimo Testamento

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Sinopse

Deus é um homem amargurado, mandão e machista, que vive num apartamento em Bruxelas, com a mulher submissa e a filha adolescente. A menina, Ea, se revolta contra ele e dá uma travada no computador com que ele controla os acontecimentos e as vidas de todos. Depois, ela foge para o mundo humano.


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Crítica Cineweb

19/01/2016

Deus, quem diria, vive em Bruxelas, tem mulher e filha, é um homem enfezado, machista e cruel, que passa o dia de roupão e chinelos diante do computador, bebendo, fumando e brincando maldosamente com a sorte dos seres humanos que ele caprichosamente criou.
 
Esta é a visão ácida e iconoclasta que o criativo diretor belga Jaco van Dormael injeta em seu mais recente trabalho, a comédia dramática O novíssimo testamento. Um roteiro que ele escreveu a quatro mãos com Thomas Gunzig e em que não cessa de surpreender com a liberdade, a provocação, a ousadia, o humor e um bocado de ternura nas entrelinhas. Sem contar que segura o ritmo até o fim.
 
Deus (Benoit Poelvoorde) está, então, acomodado em seu mundinho de poder, sem ser incomodado pela mulher submissa (Yolande Moreau), quando, como qualquer pai do mundo, começa a ser contestado pela filha pré-adolescente, Ea (Pili Groyne, de Dois dias, uma noite, dos irmãos Dardenne). Que, também como qualquer adolescente, usa unhas pintadas de preto e entende tudo de computadores.
 
O domínio tecnológico é fundamental para que Ea, depois de aconselhar-se com o irmão Jesus Cristo, mais conhecido como JC (David Murgia) – que vive numa imagem de porcelana no quarto dela -, resolve rebelar-se contra o pai autoritário. Ela não só vai fugir do seu domínio como dar uma travada geral no computador com que ele controla o mundo. Antes, pratica uma tremenda vingança – envia, por mensagem de texto, a todos os seres humanos do mundo, as datas de suas respectivas mortes.
 
O recebimento destas misteriosas mensagens abala, como é natural, os humanos, que reagem à notícia cada um a seu modo, dependendo do tempo de vida que lhes cabe. Enquanto isso, Ea encontra uma passagem para o mundo humano e vai incumbir-se da missão aconselhada por JC – encontrar seis novos apóstolos (doze ela acha demais) e escrever um novíssimo testamento para substituir as velhas regras de seu pai – que, furioso, vem atrás dela para devolver o mundo à velha ordem.
 
Escolhidos a esmo no grande arquivo de Deus, os apóstolos têm perfis bem variados – uma bela moça solitária e sem um braço (Laura Verlinden), um assassino (François Damiens), um executivo que larga o trabalho e percorre o mundo a pé (Didier Le Neck), um garotinho que quer vestir-se de menina (Romain Gelin) e uma rica entediada (Catherine Deneuve). La Deneuve, aliás, vive algumas das sequências mais inesperadas de sua carreira, jogando para o alto sua aura de estrela e contracenando com um gorila.
 
O terceiro ato, com a participação decisiva da ignorada mulher de Deus, completa com chave de ouro uma história divertida e cheia de imaginação. Continua em forma o grande diretor de Um homem com duas vidas (91), O oitavo dia (96) e Mr. Nobody (2009).

Neusa Barbosa


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